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Acordo Assinado

por 17 de Abril de 2013Os textos do Damas0 Comentários

“A reestruturação financeira é crucial para o grupo Sporting e em concreto para a SAD, na medida em permitirá à sociedade elevar os capitais próprios, criar condições para assegurar o cumprimento de requisitos do fair play financeiro exigidos pela UEFA e dotar a sociedade dos meios necessários à gestão da sua actividade”. O curto comunicado emitido pelo Sporting esclarece muitos daqueles que viam Bruno de Carvalho como um “garoto” e que já anteviam a insolvência do Sporting Clube de Portugal.

É sabido que o acordo esteve muito difícil de ser alcançado. As exigências da banca, que logicamente pretendiam minimizar prejuízos e quem sabe rentabilizar qualquer coisa com a operação, conjugadas com a disponibilidade da direcção do nosso clube em determinado tipo de acordos, colocaram o acordo e o futuro do nosso clube por um fio. Mas a intervenção de elementos ligados à banca bem como algum bom senso demonstrado pela direcção levaram a que o acordo tivesse sido selado mediante contrapartidas lógicas.


Em primeiro lugar, o orçamento da equipa de futebol profissional terá de ser reduzido para cerca de metade do valor actual. A péssima gestão e megalomania de Godinho Lopes são assim colocadas a nu. A deficiente construção do plantel desta temporada e os seus gastos excessivos levaram o clube mais perto do abismo do que todos imaginavam. Assim, a aposta na formação será para manter, como é unanimemente aceite, assim como uma reestruturação do plantel que será efectuada com verbas que emanam deste acordo.

Em segundo lugar, e segundo diversos meios de comunicação social, o Sporting terá de realizar mais-valias na ordem dos €10 milhões no mercado de transferências, sendo a margem para contratações diminuída para cerca de €5 milhões, acrescidas pelo aparecimento de receitas extraordinárias. O cenário é claro: jogadores terão de sair e a vinda de uma qualquer estrela está completamente posta de parte. O Sporting terá de trabalhar o que produz, comprar muito pouco e vender com critério.

Em terceiro lugar, os critérios para cumprir o fair play financeiro da UEFA estão cumpridos pelo que apenas dependemos da performance dentro do terreno de jogo para estar nas competições europeias.

Por último, será feito um aumento de capital da SAD que permitirá a entrada de novos investidores. Como disse – e bem – Bruno de Carvalho na conferência de imprensa da passada semana, estando todas as receitas penhoradas pela banca, qualquer injecção feita por um investidor seria automaticamente arrecadada pelos credores. Com a reestruturação alinhavada, será possível a Bruno de Carvalho apresentar os credores prometidos na campanha eleitoral e por quem todos ansiamos, para poder recolocar o Sporting Clube de Portugal no patamar que merece.

Depois de termos visto o fim do nosso grande amor perto de se tornar real e de termos sido enxovalhados por todos os nossos rivais, Bruno de Carvalho mostra a todos, e principalmente a alguns de nós, que não é nenhum “garoto” e consegue levar a bom porto a nau sportinguista. Domingo o trabalho dos nossos leões será feito e a vitória no estádio do nosso rival será a cereja no topo do bolo de duas semanas muito importantes para o nosso futuro.


P.S: Na passada semana vi partir a minha principal referência como sportinguista. O meu avô era o maior sportinguista que tive a honra de conhecer e que me mostrou o que era verdadeiramente o Sporting. No estádio ou agarrado a um rádio, foi um Leão do Lumiar, de Alvalade, de Antuérpia e de Alkmaar. Descansa junto daqueles leões do passado cujos feitos me contaste repetidamente e que, com orgulho, me fizeram ser ainda mais sportinguista. Obrigado avô.

Sporting não de Lisboa, mas de Portugal.