violas

A sorte

por 7 de Abril de 2013À saída do estádio0 Comentários

Procura-se, mas também é preciso fazer por encontrá-la. Nos últimos jogos, a equipa tem feito por merecê-la, mais do que havia feito anteriormente. Acima de tudo, a estrela que nos sorriu frente a Braga e Moreirense – e que nos abandonou, por exemplo, no jogo do empate contra o FC Porto – foi um prémio justo pelo empenho, pela vontade e pela crença da equipa, que continua a não baixar os braços. Porque a Europa é já ali e porque, claramente, o Sporting é de uma outra galáxia, certamente diferente daquela em que tem habitado ao longo deste campeonato. 
Sporting 3-2 Moreirense. 6 abr 2013. Foto: zerozero.pt
Certo é também que, caso o jogo de ontem se tivesse passado há cerca de 3 meses, poucos apostariam na vitória como resultado final. Enganaram-se. A isto chama-se futebol. “Vai Viola, é a tua vez!”; “tira o Viola, não tem cabedal para isso!”; “era ir de novo para a Argentina”; “não temos alguém que resolva”. É futebol. Viola marcou e está tudo bem. O miúdo – mais um – que, aos primeiros pormenores, mostrou ter potencial para bem mais do que os actuais registos, foi um herói improvável, daqueles a que já não estamos habituados. Pena que, no estádio, no café ou em casa, alguns não tenham ficado para o confirmar.

Perante a impossibilidade de ver o jogo in loco, em Alvalade, imagino agora os cépticos e velhos do Restelo no habitual ritual: o levantar das cadeiras antes de tempo. Razões? Múltiplas. Filas, parques, estacionamentos, filhos, mulheres, maridos, compras, enfim, um rol fastidioso de explicações. Volto a colocar a questão: alguém abandonou a sala de cinema a meio do combate entre Rocky Balboa e Apollo Creed? Claro que não. Os dois últimos jogos vieram apenas reforçar a velha ideia de que o jogo só termina quando o árbitro apita e, como os jornais fizeram questão de sublinhar, «quando se ouve o acorde final». ´

Confissões à parte, este foi mais um jogo pejado de dúvidas e de incertezas, mas com uma plena convicção: este Sporting está diferente, e para melhor. As inseguranças estão lá, as carências estão lá e as inexperiências da juventude também. No entanto, se a tudo isto somarmos quilos de suor, maior dedicação e a auto-confiança de que a qualidade é mesmo superior à de muitos dos demais adversários, tudo é possível. Quem nunca foi jovem e sonhou poder conquistar o mundo inteiro que atire o primeiro comentário jocoso? Estes miúdos sabem que a qualificação para a Liga Europa é o máximo que podem almejar. Mas então, para quem estava rotulado de candidato à descida, este caminho percorrido não é em si mesmo, no mínimo, uma travessia quase oceânica?


Sporting 3-2 Moreirense. 6 abr 2013. Foto: zerozero.pt
Mesmo que a vitória – muito suada – frente ao Moreirense seja vista por muitos uma "parte II" do jogo de Braga, a verdade é que o Sporting somou mais três pontos pela terceira vez consecutiva – algo raro durante a presente época – e aproximou-se definitivamente dos lugares europeus. “É obra”, dirão alguns. “É pouco”, dirão os demais. 

O efeito Bruno de Carvalho e o conhecimento de Jesualdo Ferreira estão mesmo a fazer-se sentir de uma forma que já ninguém pode ignorar. E, é embebida desse efeito, e com a certeza de que o trabalho compensa, que a equipa tem de encarar o próximo jogo fora de portas, na Luz. Sem conflitos, sem mensagens trocadas, sem recados, sem subterfúgios e sem subserviências. Apenas com a plena convicção de que, como disse Jesualdo, daqui a 15 dias, o Sporting parte com a ambição de discutir o jogo e o resultado. Antes também o fazia, mas, apenas nas palavras. 

As convulsões internas que viraram revolução fizeram espalhar a mensagem. Hoje, não se trata de conversa fiada e de verbo inconsequente. Hoje, apesar de jovens, a ambição e a esperança são reais e materializáveis. Quanto ao resto, é futebol. Até ao último apito.


O Sporting somos nós.