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O Primeiro

por 20 de Março de 2013Os textos do Damas0 Comentários

O primeiro debate entre os candidatos á presidência do Sporting Clube de Portugal marcou definitivamente, se é que havia dúvidas, quais são os dois candidatos capazes de assumir a liderança do nosso clube. Na verdade, Carlos Severino nunca havia mostrado ser um candidato forte e com valências para dar a volta á situação que o Sporting enfrenta e a sua performance neste debate arreda de vez o candidato da Lista A para uma votação marginal.

O debate centrou-se principalmente na situação financeira que o clube vive e quais as soluções apresentadas para o debelar. Carlos Severino mencionou ter uma solução alinhavada que passa pela entrada de duas instituições financeiras, uma holandesa e outra britânica no capital da SAD com os ganhos decorrentes dessas operações a contribuírem para aliviarem o fardo financeiro do clube, que veria o seu orçamento reduzido em metade.

Bruno de Carvalho foi mais comedido, apesar da insistência do moderador em dar a conhecer a proveniência do dinheiro a entrar no Sporting. Infelizmente, muitos ficaram assustados com a possibilidade de entrada de capital russo há dois anos atrás e já não disfarçam o mal-estar com a candidatura do segundo classificado de então. A verdade é que assegurou que o dinheiro irá mesmo entrar nos cofres do Sporting Clube de Portugal, mesmo sem perder a maioria do capital da SAD.

José Couceiro, visivelmente pouco á vontade neste debate, foi mesmo o único candidato que falou na possibilidade de perda da maioria do capital da SAD, mas mantendo a identidade que tão bem define o clube. Na verdade, essa é uma promessa muito difícil de fazer, pois já não seria a primeira vez que se verificava uma mudança de paradigma num clube, com a entrada de um investidor e consequentes normas que o mesmo tentará impor.



Realce ainda para a aposta na formação que os três candidatos preconizam, apesar do protocolo de Carlos Severino com a fundação de Johan Cruyff e a inenarrável criação de uma equipa “C”. Ainda se falou sobre a eventual venda de Rui Patrício a um fundo de investimento como forma de pagar necessidades prementes de tesouraria. Esse cenário foi debatido pelos três e rejeitado liminarmente pois assim, o ciclo vicioso da insolvência aproximar-se-ia ainda mais perigosamente.

As modalidades foram defendidas e foi acentuado a ideia do Sporting Clube de Portugal como clube desportivo e não apenas de futebol. Aí, as ideias de Bruno de Carvalho, ele que tem a experiência de ter estado ligado ao ressurgimento do hóquei em patins de verde e branco, foram sem dúvida as que mais marcaram. A formação tem de ser, tal como no futebol, uma ideia que defina todas as modalidades que se praticam sob o símbolo do Sporting Clube de Portugal e, juntando-se uma gestão responsável, não se verá mais o espectro da extinção que afetou hóquei em patins, basquetebol e ciclismo, para falar apenas nas mais saudosas.

O final do debate trouxe uma sondagem que apenas tem o valor que os sportinguistas lhe quiserem dar. Na verdade, a amostra está muito longe de ser representativa e, deste modo, nunca poderá trazer qualquer elemento válido para a definição da escolha de todos nós.

Bruno de Carvalho mostrou-se tal como o conhecemos. Seguro e assertivo, o seu discurso claro transpareceu o que o seu programa define e com o qual os sportinguistas poderão contar. Enquanto Carlos Severino, como já o disse, não tem capacidade para ser Presidente do Sporting, José Couceiro apresentou-se sem chama, talvez denotando que a sua experiência e capacidades não serão para o cargo de Presidente, mas assumindo um lugar intermédio na estrutura como responsável pelo futebol.


Sporting não de Lisboa, mas de Portugal.