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Golpe de estado

por 25 de Março de 2013Os textos do Damas0 Comentários

O Sporting foi liderado durante quase duas décadas por um grupo de políticos e bancários que atropelaram, sem quaisquer escrúpulos, as vias institucionais, para chegar ao poder, utilizando, de forma perversa, métodos de coacção, chantagem e pressão. Pode parecer estranho fazer uma revolução para depor uma elite passados uns longos e dolorosos 17 anos, mas foi o que ocorreu. José Roquette, que tomou o poder no Sporting em 1996, governou com mão de ferro e um objectivo que veio a tornar-se cada vez mais claro: destruir o Sporting.

Ao longo destes anos, Roquette, Ricciardi e, mais recentemente, na linha da continuidade, Godinho Lopes, completaram o trio de personagens que completaram o auge do totalitarismo no Sporting. O fim de Roquette não foi, infelizmente, o fim dos "credíveis" (http://www.youtube.com/watch?v=gU7aE5aD20g) de Alvalade. A era continuou com o Engº Godinho Lopes e, neste mandato, o Sporting mergulhou numa placidez mórbida. Godinho desestimulou a massa adepta, mas a insatisfação geral perante as políticas do seu mandato foi crescendo, colocando no mesmo barco da oposição ao regime um largo grupo de descontentes: médicos, advogados, economistas, carpinteiros, mecânicos, professores, estudantes ou reformados. Em comum, o facto de todos remarem no sentido de um Sporting novo, saudável e ambicioso. A história começava a desenhar-se com o apertar do cerco a Godinho Lopes que, ao mesmo tempo, demonstrava os primeiros sinais de desgaste.

O princípio do fim deste mandato era evidente. Numa última investida, uma equipa de bravos soldados conseguiu derrubar a corja instalada no poder. Quanto aos objectivos do capitão Bruno de Carvalho e dos seus homens, eram claros: o regime e a linha de continuidade tinham de cair a qualquer custo. E caiu, com uma facilidade impressionante. A 23 de Março de 2013, os soldados verdes da lista B deixaram os seus quartéis rumo à sede do clube. Saudados pela população, que os presentearam com cânticos e mensagens de apoio, marcharam para derrubar uma "ditadura" e uma linhagem que perdurava mandato após mandato. A revolução dos soldados verdes conseguiu destituir um regime elitista, que existia no clube há 17 anos.

Já amanhecia quando os bravos soldados tomaram posse do auditório de Alvalade. Não foram necessários combates, apenas alguns tiros para o alto foram disparados. As tropas verdes mobilizavam-se e ganhavam cada vez mais apoiantes. Em poucas horas, o governo de Godinho Lopes – que assumira o poder de Roquette – foi deposto. Pouco passava das duas horas da madrugada do dia 24 de Março de 2013, quando a melodia de “Grândola, Vila Morena”, cantada por Eduardo Barroso, começara a tocar no reino do Leão. Ainda com a memoria avivada (http://vimeo.com/62598831#at=0), os muitos presentes estranharam. Afinal, aquela era uma música proibida, cujos versos sempre foram censurados para os lados de Alvalade: “Em cada esquina um amigo/ Em cada rosto igualdade/ Grândola, Vila Morena/ Terra da fraternidade.”


A vitória Bruno de Carvalho expressava um sentimento comum a todos os Sportinguistas: o fim deste regime Roquettista e das suas corjas seguidoras. Em pouco tempo, o Sporting Clube de Portugal via-se tomado por manifestações de apoio, cânticos, tochas, mensagens e muita alegria. No rescaldo do dia em que se seguiu à queda do regime, a felicidade parecia ter sido alcançada. Os soldados verdes distribuíam sorrisos, abraços e muitas mensagens de apoio ao novo Presidente do exército leonino. Respirava-se liberdade em Alvalade.

Na madrugada de 24 de março, a canção, que se havia tornado um hino dos jovens e intelectuais contra a ditadura que já durava há mais de 17 anos, foi um sinal: a luta chegou ao fim. A mudança estava a acontecer. "Acabou-se o tacho", "o Sporting voltou a ser nosso", gritava-se em Alvalade. Mas, não só em Lisboa, como por todo o pais, os soldados da cor verde e branca festejavam unidos e a uma só voz, cientes de que tinha chegado o dia em que o Sporting voltava a ser dos adeptos. Era, portanto, o fim do tacho e do croquete, e o início de um Sporting melhor. Um Sporting de cara lavada, unido e democrático.


Sporting Sempre.