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Futebol, para variar

por 3 de Março de 2013À saída do estádio0 Comentários

À partida, este seria um jogo em que 90% dos sportinguistas e 100% dos portistas apostariam ’2’, no ‘1X2’ do Totobola. Esqueceram-se de um pequeno pormenor, o Sporting é enorme. 

Com uma equipa teoricamente inferior, mas com uma alma imensamente maior, o Sporting, perante um público compreensivo e entusiasta, soube ser coeso, solidário e inteligente. Mesmo com um empate, os miúdos provaram que podem fazer melhor e que merecem tempo para, com serenidade, aprenderem a lição.

Tal como o disse Jesualdo Ferreira, quando confrontado com a questão de este ser, ou não, um bom resultado, «Como equipa grande – o Sporting – não pode ficar satisfeito, mas para o crescimento da equipa foi bom ter um resultado meio positivo para que os jogadores acreditem que é possível fazer os restantes jogos em bom plano. Entre o Estoril e hoje foram duas equipas diferentes.»

O Sporting não pode viver de empates moralizadores, mas, tendo em conta o panorama recente e o facto de, mais uma vez, a equipa não terminar os 90 minutos com 11 jogadores, o empate acabou por ser saboroso. De amargo, ficam mais uma vez os falhanços na finalização, que perduram enquanto entrave à recuperação desta equipa que, no que ao futebol diz respeito, tem apresentado progressos significativos. 


Sporting CP 0-0 FC Porto. 2 Março 2013. Fonte: zerozero.pt

Ainda sobre o resultado final em si, sobre o empate e o registo de apenas 1 ponto para somar na tabela classificativa, esta semana foi pródiga em arrogância e discursos bacocos. Vamos colocar isto desta forma: o Sporting e os adeptos do Sporting não admitem que se ouça, tal como aconteceu ao longo desta semana, que clube e adeptos ficariam satisfeitos por perder com uma equipa para impedir o acesso ao título de outra. Nada mais errado, nada mais alarve, disparatado, egocêntrico e espertalhão por parte de um clube que, por intermédio do presidente – há bem poucos dias – se mostrou bastante interessado no que se passa do outro lado da 2.ª circular, ao afirmar que: «Estejam os benfiquistas todos descansados que estamos bastante atentos ao que se vai passar no Sporting». E é bem verdade. É preciso estar atento porque as contas não estão a sair furadas apenas em Alvalade. 
Mas, em tempo de clássico, não vale a pena perder mais caracteres com estas…tonterías

Em campo, tivemos oportunidades suficientes para vencer, tivemos capacidade de sofrimento e, tivemos também alguns erros de palmatória que nos poderiam ter feito sair de Alvalade com uma derrota. Colectivamente bem, foi das tarefas individuais que a equipa se pôde queixar. Adrien, a quem se pedia a organização do miolo, foi novamente uma nulidade. Com fraco poder de choque e uma quantidade absurda de passes errados, facilmente Zezinho faria melhor e com maior simplicidade. Adrien é cada vez menos opção e as actuações, mesmo com o grau motivacional deste jogo, levam os adeptos a exasperar e perder qualquer ponta de paciência. 

Na frente, a equipa bem se pode queixar da falta de instinto matador de um holandês que, muito sozinho entre os centrais, vai perdendo qualquer capacidade de resolver as partidas. Van Wolfswinkel é pau para toda a obra e, quando o tempo é de finalizar, o cansaço e a luta constante vão toldando qualquer possibilidade de discernimento. Labyad pareceu menos preparado que Carrillo para estas andanças e Joãozinho é ainda uma sombra da garantia de segurança defensiva e ofensiva de Insúa.

Sob os holofotes, alguns nomes a destacar. Ilori, pela tranquilidade; Rinaudo, pela ocupação dos espaços e pela combatividade – que permitiram à equipa não dar espaços à entrada da área; Rui Patrício, muito forte no um para um; Dier, pela novidade; Bruma, pelo trabalho que deu em tempo de desespero; e Capel, sempre Capel, pela entrega desmedida. 

Mas estes apontamentos não ficariam completos sem referir um nome: Paulo Baptista.

Sporting CP 0-0 FC Porto. 2 Março 2013. Fonte: zerozero.pt
O homem do apito, depois de não querer mostrar cartões nem apitar qualquer falta a 21 de Agosto de 2011, quando se negou a arbitrar o Beira Mar – Sporting da época passada, optou desta vez por assinalar qualquer movimento. O jogador está a correr? Falta. Lei da vantagem? Falta. Cartão duvidoso? Cartão. O mesmo cartão duvidoso? Falta de coragem para assinalar. Os erros ocorreram, quer para um lado quer para o outro. Quanto a Paulo Baptista, sem categoria, sem personalidade e psicologicamente muito fraco, resolveu ser protagonista. Pela experiência que tenho em estádios mais pequenos, com a proximidade entre público e pelado, este árbitro de Primeira Liga não duraria meia parte num jogo do campeonato distrital. As expulsões de Oceano e Jesualdo são a prova de que algo não vai bem no reino da arbitragem portuguesa – e, obviamente, essa falta de capacidade já não é de hoje, nem de ontem.

É por isto, e não só, que está na altura de pôr os árbitros a falar. No final de cada jogo, quase todos os intervenientes são chamados à razão para explicar e esmiuçar decisões. É tempo de os árbitros o fazerem também, porque a falta de respeito por esta enorme instituição cresce a olhos vistos e não pode ficar impune.


Nota final: os regressos de Liédson e Izmailov. Ambos apresentaram um rendimento muito fraco e mostraram que estavam nitidamente afectados pelo ambiente criado em Alvalade. Retirando alguns impropérios, foi bom ver os dois novos reforços do dragão serem abafados a uma só voz.


O Sporting somos nós.