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É o Sporting, estúpido

por 17 de Março de 2013À saída do estádio0 Comentários

No último jogo de Godinho Lopes enquanto presidente e no primeiro adeus a João Rocha em pleno estádio de Alvalade, o Sporting venceu, e venceu bem. Com mais ou menos sorte e com mais ou menos domínio, o Sporting foi superior, teve oportunidades suficientes para construir um resultado mais confortável e, ao contrário do que tem sido nota dominante, não precisou de correr atrás do resultado. 

Os primeiros minutos trouxeram-me à memória o Sporting-Vit. Setúbal da época 2011/12, o que por si só já seria um bom prenúncio. Pressão ofensiva pouco comum, uma maior elasticidade dos vários sectores e a promessa de eficácia na finalização – esta última por cumprir. Um Sporting adulto, personalizado e com um apetite voraz pela vitória. Uma excelente entrada em campo que comprovou todos os atributos, mas que evidenciou também a tendência da equipa para dispersar. À excepção de dois ou três períodos, o meio campo leonino até foi dominador, porém, as falhas de concentração e a inexperiência continuam a condenar muito do trabalho bem feito ao insucesso, e quando tudo parece estar bem encaminhado, os adeptos sabem bem que, em Alvalade, o que parece raramente é. 


Sporting 2-1 Vit. Setúbal. 16 Mar 2013. Fonte: zerozero.pt

Ainda assim, depois do penoso encontro de Coimbra, Jesualdo Ferreira teve mais sorte nos melões. E, neste quadro, Bruma é claramente a fruta da época. O extremo de origem guineense, que já disse «Quero renovar», foi de longe o maior desequilibrador e aquele que mais empolgou os – impressionantes – 23 mil adeptos que rumaram a Alvalade. À esquerda, à direita, em velocidade ou no drible mais vagaroso, Bruma foi o verdadeiro motor do ataque, esclarecendo o porquê do eclipse de Carrillo. O peruano, mesmo com poucos minutos somados, cumpriu uma das exibições mais pobres da noite, aliando a máxima displicência ao alheamento do trabalho colectivo. 

Quanto a Ricky, voltou a ficar em branco, mas mereceu os aplausos. O holandês foi incansável e dá sempre a sensação de que, com uma atmosfera positiva e com o público a seu favor, é capaz de fazer bem melhor e silenciar todos aqueles que já lhe vaticinaram uma carreira como jogador de segunda liga.

No meio campo, a colocação de Labyad ao centro para a saída de Adrien – mais uma vez recebido por um coro de assobios –, tranquilizou as bancadas e foi uma aposta ganha por Jesualdo; Rinaudo voltou a ser enorme; Eric Dier, novamente a médio, continua a demonstrar que é um jogador de grande qualidade, e, acima de tudo, fá-lo com a maior das serenidades. Uma tranquilidade, aliás, semelhante à de Ilori, mas que corrobora tudo o que acima foi escrito. A dificuldade em estender a maturidade competitiva por mais do que 50 ou 60 minutos continua a ser um problema.

No fundo, é mais uma vez difícil redigir um texto sobre um jogo em que o Sporting está no melhor e no pior. Escrever sobre 90 minutos de um jogo do Sporting é escrever sobre um jogo em que, sistematicamente, há uma equipa superior, mas que comete erros de palmatória após jogadas dignas de liga dos Campeões. E é por essa razão que, podendo ter ganho por uma margem de dois ou três golos de diferença, frente ao Vitória, o Sporting não foi merecedor de um resultado mais expressivo.

Deixo o parágrafo final para uma constatação: “Pela boca morre o peixe”. Uma vez mais, a equipa soube colocar o adversário em sentido e fazer com que se aplicasse o ditado. Depois de Braga e Gil Vicente, este fim-de-semana coube ao treinador do Vitória de Setúbal duvidar do valor da equipa leonina e engalanar-se na hora de jogar em Alvalade. O Sporting é favorito «mas só pelo passado e não pelo presente», constatou José Mota. Com 20 minutos de jogo e com a possibilidade de sair de Alvalade reduzido a pó, o técnico sadino, à imagem de António Fiúza e António Salvador, deve ter dado dois passos atrás em direcção à cabine, como se – tal como o fez Jesualdo frente ao FC Porto – pronunciasse «Acabe o jogo». Mas sem direito a expulsão.

O Sporting somos nós.