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As histórias do Senhor Anastácio

por 28 de Março de 2013Os textos do Damas0 Comentários

O Benedito era um miúdo lá da terra. Era um rapaz igual a muitos outros, mas tinha uma particularidade que o demarcava dos seus amigos. O Benedito era Sportinguista de alma e coração, como o próprio gostava de se intitular. Todos os dias, depois das aulas, os amigos do Benedito concentravam-se no campo pelado que ficava perto da escola. Chegavam e era tudo muito rápido: as mochilas eram imediatamente atiradas para o chão, equipavam-se a rigor, fazia-se o típico “par ou ímpar” e a bola começava a rolar. Era um pelado que fazia as delícias dos seus amigos, mas para o Benedito, jogar com aqueles rapazes, que nunca vestiam as suas cores, fez com que ele não fosse jogar mais a bola, preferindo ir até ao café do Senhor Anastácio.


O Benedito passou então a ser frequentador assíduo do tasco. O senhor Anastácio, um sportinguista convicto, era um contador de histórias fabuloso e o seu tema preferido eram histórias sobre leões. Com o passar do tempo e das histórias, o Benedito ganhou confiança e pediu ao Sr. Anastácio que lhe contasse uma história sobre leões. Maravilhado com o pedido do miúdo Benedito, o Senhor Anastácio não se fez de rogado.

Sr.Anastácio: – Queres uma história de leões, Benedito? Tu és do Sporting, não és, rapaz?

Benedito: – Sou do Sporting de alma e coração, senhor Anastácio.

Sr.Anastácio: – Isso é que eu gosto de ouvir! Vou então contar-te uma historia de um leão branco que viveu em Alvalade.


O Benedito aproximou-se para poder ouvir melhor. Os seus olhos brilhavam de forma intensa, espelhando a sua felicidade por saber que o Sr. Anastácio lhe ia contar uma história sobre o Sporting.

Sr.Anastácio: - Em tempos longínquos, existiu um leão em Alvalade, que era branco. Tinha uma juba incrivelmente bonita, limpa e sem riscas. Era um animal forte e imponente, que fazia frente a qualquer outro animal que tentasse roubar o seu espaço ou que se aproveitasse do seu instinto de predador para se alimentar. O leão branco dominava e marcava o seu terreno de forma agressiva e todos os outros animais sabiam que na selva o leão branco de Alvalade era o Rei. O leão de Alvalade dominava pelas suas diversas características: era ágil como Vítor Damas, era rápido como Joaquim Agostinho, deslizava na savana como de um António Livramento se tratasse. Agarrava as suas presas com a destreza de Carlos Correia, tinha uma eficácia no ataque tão mordaz como a de Manuel Fernandes e a sua condição física era semelhante à de Carlos Lopes. Capacidades que faziam deste belo animal branco um leão tão forte como os mais fortes do mundo. Mas, um dia raptaram o leão.

Benedito: - Não acredito... Quem é que fez isso ao nosso leão?

Sr. Anastácio: - Tem calma, Benedito. Ainda não acabou. Um dia, esse belo e imponente leão foi apanhado desprevenido e atacado por um bando de caçadores sem escrúpulos. Sem explicações, nem justificações, os caçadores, num acto repentino, raptaram o leão branco. Deram uma valente tareia no belo animal e, depois de o torturarem, devolveram-no à selva. O leão vinha diferente, era agora amarelo e tinha riscas. No primeiro impacto, causou estranheza, mas, mesmo assim, o leão ainda não tinha perdido a elegância ou o brilho. O seu coração continuava verde e, embora tivesse perdido algumas das características que o identificavam, demonstrava a força e coragem necessárias para manter os outros animais em sentido. Este leão amarelo era tão seguro como Rui patrício, corria e saltava da mesma forma com que o faziam Obikwelu e Naide Gomes, demonstrava a mesma eficácia de Ricardo Dias e era talentoso como Cristiano Ronaldo. Continuava um animal bonito, raçudo como Sá Pinto e fervoroso como Benedito. 
O leão continuou vivo e sem tempo de olhar para trás. Pessoalmente, adorava o leão branco, mas o leão amarelo continua a ser o animal mais bonito do mundo. E tu, Benedito, qual foi o leão de que gostaste mais?

Benedito: - Sr. Anastácio, a mim não me interessa se o leão é branco ou amarelo, se tem riscas ou se é liso, o que me interessa é que o leão seja Sportinguista de alma e coração.

O senhor Anastácio sorriu e encheu o peito de confianças e certezas. O contador de histórias percebeu que os homens passam e que os símbolos mudam, mas que o amor ao clube, esse, será eterno. E, para o Senhor Anastácio, o miúdo Benedito foi a prova de que um clube com adeptos assim nunca morre.


Sporting Sempre.