SPORTING - FC PORTO

A bipolaridade.

por 11 de Março de 2013À saída do estádio0 Comentários

O professor, alerta para o facto de o adversário de hoje ter de ser encarado como o melhor do mundo. A atitude, a agressividade, a concentração e qualidade táctica têm que ser iguais ou superiores às do último jogo. É necessário imprimir a mesma vontade e o mesmo empenho em cada jogada, sem nunca perder a noção do que é representar o Sporting Clube de Portugal e do peso que tem esta camisola. Com uma leitura muito simples e objectiva, o treinador leonino afirma que a 7 pontos do objectivo Europa e sem espaço para falhas, o Sporting Clube de Portugal tem que ser ambicioso…


Isto foi escrito antes da partida de Sábado em Coimbra e para lá do facto de isto me deixar amargurado, fico com a estranha sensação que este Sporting, é Bipolar. Conseguindo o Sporting no clássico aumentar os níveis anímicos com um resultado e uma exibição que podiam, com a sorte, acabar de forma satisfatória, esta mesma equipa passado oito dias, entra em campo e passa 75 minutos sem mostrar vontade, atitude, agressividade e fio de jogo.
Jesualdo Ferreira falhou redondamente na abordagem para este jogo. O 11 escolhido não foi o melhor, as substituições foram feitas tardiamente e o discurso do treinador do Sporting antes da partida, foi bem melhor que a prestação dos seus atletas. Ser ambicioso, é jogar com um meio campo de contenção?! Não havendo espaço para falhas, a motivação e abordagem ao jogo não devia ser 100 vezes maior?


O Sporting não apareceu em campo e só não saiu com um resultado mais negativo porque o suspeito do costume – Rei Patrício – foi adiando o segundo golo com intervenções maravilhosas. A inevitável falta de experiência dos jovens jogadores levou-nos a sofrer um golo e isso são situações que vão fazer parte desta atabalhoada aposta na juventude. Mas se estes jovens têm desculpa, o mesmo não se pode dizer em relação a outros. Por exemplo: ver Adrien jogar é confrangedor. Ver Capel, apesar de empenhado, sempre de cabeça enfiada no relvado, é revoltante. Mas mais grave que isto tudo, é o facto de ser Jesualdo Ferreira o principal culpado por 75 minutos vergonhosos destes jogadores.

Sou um defensor de Jesualdo Ferreira e sei que sem ovos não se fazem omeletes mas foi notória a falha do professor na preparação da equipa para esta partida. A 15 minutos do fim, a equipa começa a atacar de forma consistente, com velocidade e com uma atitude que devia ter sido apresentada em campo desde o apito inicial. Jesualdo, mexeu bem mas mexeu tarde. A entrada de André Martins, modificou a forma de jogar do Sporting. Aumentou a qualidade de passe, o Sporting passou a ser comandado por um jogador de processos simples e o facto do número 28, pensar antes de receber a bola, fazem-me questionar o porquê de não jogar a titular, fazem-me questionar o porquê de André Martins não ser uma presença assídua nesta equipa. Não encontro respostas para tantas oscilações e maus resultados. Ao fim de 23 jornadas ainda gostava de perguntar a Carlos Freitas e Luís Duque, como foi possível depois de uma época e meia, não existir no Sporting, um pensador de jogo, um jogador que marque os ritmos de jogo, que comande a equipa. Gostava de perguntar também a quem geriu o Sporting, como foi possível deixar o clube chegar a este situação.

A bipolaridade é uma doença que afecta o Sporting há uns anos a esta parte. É uma doença de extremos seja de alegria ou de tristeza e atinge presidentes, treinadores, jogadores e até os adeptos. Faço aqui um exercício de memória e volto ao tempo de Paulo bento. Foram 4 troféus e um título roubado. Com uma equipa devidamente equilibrada, metade dela miúdos e metade jogadores como: Liedson, Derlei, Rochemback, Tonel, Ricardo, Romagnoli, Abel, Caneira. É verdade que é pouco mas pelo menos, o Sporting era competitivo e tinha uma identidade. O Sporting de Jesualdo Ferreira, é desequilibrado em todos os sentidos, os mais novos são obrigados a assumir o jogo sem ter a protecção dos mais velhos. Não existem líderes, nem jogadores experientes que transmitam valores e respeito, e todos nós sabemos que nenhuma equipa do mundo que queira atingir o sucesso, pode ser constituída por três jogadores de 25 anos, dois de 23 e os restantes abaixo dos 21 anos. 


Sem vontade de escrever mais, só espero que o presidente que for eleito consiga efectivamente impor no Sporting uma cultura de exigência e qualidade e a partir dai espero que os adeptos percebam que o que foi feito entre 2007 e 2009, era realmente a aposta certa e o caminho que nos pode conduzir ao sucesso. De nada servem os constantes apupos ao treinador Jesualdo Ferreira porque com 40 anos de futebol e com exemplos de potencializar jogadores, acredito que o professor será um pilar importante para um futuro próximo, não recheado de títulos e glória mas no mínimo um futuro que nos devolva o orgulho de ser do Sporting Clube de Portugal. Todos nós na vida falhamos e no caso do treinador do Sporting penso que terá sido apenas um acidente de percurso.


Sporting Sempre.