Diogo

Sportingzinho

por 1 de Fevereiro de 2013Os textos do Damas0 Comentários

Quando somos crianças e chega a altura de escolher um clube para apoiar, temos duas grandes hipóteses: ou somos daquele que ganha sempre ou nos deixamos influenciar pelos nossos pais e amigos. No meu caso, incorri pela segunda opção.

Com o passar dos anos, percebemos que ser do que ganha sempre não chega, e apoiar um clube apenas porque o pai e a mãe também apoiam deixa de fazer sentido. É necessária paixão. Temos de arranjar pontos comuns, algo com que nos identifiquemos, para que o possamos acompanhar toda a vida. 

Inicialmente simpatizei com o Sporting Clube de Portugal pelo que o meu pai me contava. “Somos diferentes”, dizia-me. Palavras inócuas para um jovem de apenas cinco anos mas que, mais tarde, começaram a fazer sentido.

Este não era o clube que ganhava sempre, mas as vitórias saboreavam-se de forma especial. Também não era o clube com mais adeptos, mas estes tinham postura, dignidade e honra. Entre eles respirava-se confiança. Acima de tudo, havia orgulho em ser adepto de tal clube, gerando-se um sentimento de pertença a uma família. “Não é para quem quer”, contavam-me os mais antigos. Ser do Sporting Clube de Portugal é só para quem pode

Hoje este clube já não existe. Temos agora um Sportingzinho, que é tudo menos especial. Desapareceu a postura, a dignidade e a honra. A confiança esfumou-se e o orgulho transformou-se em vergonha. A família dividiu-se numa luta entre irmãos.

Afigura-se para 9 de Fevereiro o dia mais negro da história do clube com que outrora me identifiquei. E se os nossos pais e avós, os “diferentes”, pudessem falar hoje, tenho a certeza que nos diriam: 

Ser do Sportingzinho é para quem quer, mas ser do Sporting Clube de Portugal é só para quem pode.


Ass: Verde até ao tutano.