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O S.C.P, o Sporting e agora nós.

por 5 de Fevereiro de 2013Os textos do Damas0 Comentários

Primeiro, o Sporting Clube de Portugal

O Sporting perdeu-se. As raízes que fundaram este clube foram arrancadas, desprezadas e tomadas de assalto por pessoas que, indiscutivelmente, não sentem o Sporting como um amor, que não percebem esta forma de viver, este ideal e esta forma de estar. 


Roubaram os valores, desrespeitaram o Esforço e a Dedicação dos seus antecessores e já não existe a Devoção ao clube. Não há respeito, não há nada. E, o ex libris de toda a grandeza do clube, a Glória, não passa de uma mera miragem,num horizonte cada vez mais distante da nossa realidade.

O antigo Sporting tinha uma hegemonia avassaladora no panorama do desporto nacional e europeu.

O Sporting Clube de Portugal era Fernando Mamede e Carlos Lopes, com os seus feitos históricos no atletismo. Era Mesquita e Carlos Correia, os eternos penta-campeões do Andebol, era Livramento, no hóquei em patins, a comandar o clube ao topo da modalidade, e era Joaquim Agostinho, nas suas cavalgadas épicas no ciclismo. Era Jesus Correia, Vasques, Albano, Peyroteo e José Travassos, a conquistar a Europa e a marcar uma época sem paralelo, era "Chirola" Yazalde, no topo dos marcadores europeus, era Manuel Fernandes e Vítor Damas a representarem a paixão de uma história centenária, recheada de êxitos e glórias que fizeram do Sporting "um clube tão grande como os maiores da Europa".

Agora, o Sporting

Mas, isso mudou, esse foi o Sporting que sempre idolatrámos. Foram estes e outros símbolos que definiram o ADN do clube. Foi através destes símbolos e ídolos de muitas gerações que o Sporting, ainda nos dias de hoje, conta com 3 milhões de adeptos.

Nada tem a ver com este Sporting indústria e nada que se compare com este Sporting negócio.

Depois de Jorge Gonçalves, todos aqueles - uns mais, outros menos - que geriram o Sporting Clube de Portugal perderam a sensibilidade e a lucidez. Foram apontadas soluções e ideias para remodelar o antigo estádio, bem como todos os espaços inerentes ao mesmo. Resultado? Destruíram dois dos locais que mais definiam a nossa identidade . O velhinho Alvalade e antiga Nave eram espaços únicos e carregados de simbolismo. Eram lugares que abafavam o mundo e eram dois sítios onde se respirava Sporting, no seu estado mais genuíno, límpido e inocente.

Todos foram alertados para os riscos e repercussões que esta gestão implicaria em caso de falhanço, mas, ainda assim, grande parte dos sócios deu o aval ao princípio do fim.

A tentativa de reestruturação de um património acabou em desgraça. Deixaram-se cair numa situação de novo-riquismo desmesurado, e o Sporting passou a ser gerido como uma empresa e não como um clube.

A construção do estádio, os sucessivos recorreres à banca, o aumento desmedido do passivo, a venda de parte do Capital social da S.A.D e a procura incessante pelo poder pessoal em detrimento de uma luta conjunta em abono do Sporting, foram logicamente o rol de situações - entre muitas outras - que catapultaram o Sporting, o nosso Sporting, para um estado financeiramente, socialmente e desportivamente insustentável

Roquette foi o inicio do descalabro, mas Bettencourt e Godinho deram a machadada final no pouco que restava do antigo Sporting. O verdadeiro e aquele por quem nos apaixonámos.

E, agora Nós

Hoje, o Sporting vive dos adeptos. Vive de um crer inabalável, de um apoio categórico e de uma fé arrasadora. Os adeptos leoninos são fiéis, são eles - nós - que alimentam o Sporting e que dão a força que o clube não consegue ter.

Não queremos a corrupção da região norte e muito menos ser a bandalheira em forma de ditadura, que ocorre do outro lado da segunda circular. Precisamos de descobrir a direcção certa e trilhar esse mesmo caminho, mas terá de ser uma caminhada lado a lado. Nós, os adeptos, o que precisamos fundamentalmente é de ter a capacidade e o discernimento de encontrar, no seio da nossa família, o Sportinguista ideal para nos representar. Temos de apoiar quem se paute pela sabedoria, pela lucidez e transparência. O homem, o Sportinguista, que assumir o comando deste reino colossal, tem de ser possuidor de credibilidade financeira para a sustentação do clube, não só nos próximos anos, mas, particularmente, nos próximos seis meses. Tem de ser alguém extremamente perspicaz e que possa erradicar para sempre quem utilize o nome do Sporting Clube de Portugal como um trampolim para uma visibilidade política ou para fins de índole pessoal. O futuro presidente tem de ser astuto e intelectualmente arrogante, tem de ser um homem cerebral, que transmita segurança e certeza no projecto, e que exija eficácia no caminho traçado.

Sem me deixar influenciar por A ou por B, mesmo com as minhas convicções pessoais, quero também apelar aos sócios do Sporting Clube de Portugal que se pautem pela escolha de um projecto sustentável, e que não se deixem influenciar por nomes ou por rótulos. Fica o aviso, de que as lutas que se avizinham serão perigosas. Preparem-se para falsas promessas, para a demagogia barata e para muitas jogadas de bastidores. Mas, desta vez, não se esqueçam que o Sporting é dos adeptos, é de Portugal e que o seu futuro estará nas nossas mãos dia 23 de Março de 2013.

Os adeptos terão a oportunidade de fazer renascer o Sporting Clube de Portugal.

Ernest Renan, o filósofo francês, quando afirmou que «O que faz que os homens formem um povo é a lembrança das grandes coisas que fizeram juntos e a vontade de realizar outras», estaria certamente a pensar na força da massa adepta do Sporting - o antigo e o verdadeiro.

Ass: Sporting Sempre