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Nortadas

por 2 de Fevereiro de 2013À saída do estádio0 Comentários

Ambiente gelado, jogo morno, um Rio Ave frio e um Sporting sobre brasas. Em Vila do Conde, o Sporting, tal como tem sido habitual nos últimos jogos, entrou forte, determinado e à procura de resolver o jogo enquanto as pernas e a frescura física o permitiram. O golo, aos 7 minutos, convidava os adeptos a acompanhar a evolução da equipa com mais atenção e a sonhar com um jogo mais tranquilo do que os anteriores. Puro engano. 

Esta equipa continua falsa e os períodos em que parece alhear-se do jogo permanecem frequentes, dando aso a uma partida sem grande chama, e onde a dormência e o entorpecimento dos jogadores tolda qualquer hipótese de brilhantismo ou de emoção. Depois de uma semana de ligações directas à invicta, o Sporting foi, mais uma vez, derrubado por uma nortada.


Rio Ave 2-1 Sporting. 2 Fev 2013. Foto: Maisfutebol 
Contudo, apesar da derrota  e reparem até que ponto já chegámos  a equipa não desiludiu de uma forma total. O jogo foi fora de casa e o Rio Ave tem um bom plantel que, para mais, está bastante motivado. Como se isso não bastasse, a última semana leonina foi pródiga em volte-faces e equívocos. É certo que o mês de Janeiro é universal e que as equipas sofrem todas dos mesmos problemas, mas não há como fugir ao facto de que, mesmo que a equipa técnica procure concentração e blindagem máxima dos jogadores, o fecho do mercado, os jogos psicológicos, o vai/não vai e as esperanças defraudadas acabam por pesar e por marcar de forma vincada o desempenho desportivo da equipa.

Sem que nada o fizesse prever, a história da jornada passada, frente ao Guimarães, voltou a repetir-se: a equipa entra a vencer, tem hipótese de dobrar a vantagem e termina o jogo sem alcançar a vitória, após defrontar um adversário que, por muitos elogios que mereça e por muito que tenha aproveitado as oportunidades, nunca foi uma equipa superior. Os dois golos vilacondenses são o espelho do momento actual. O atabalhoamento, as decisões pouco esclarecidas e, como se tudo isso não fosse suficiente, a falta de sorte – que, é verdade, também é preciso merecer.

A dupla de centrais voltou a mudar; Rinaudo parece desconcentrado e mal posicionado; Adrien, ainda que mais esclarecido do que nos primeiros jogos da época, contínua com a elementar lentidão de processos; e Ricky, um dos mais visados na batalha das transferências, continua demasiado sozinho para que o ataque possa fazer a diferença. Portanto, se toda a zona central vive de deficiências e age de forma errática, os bons resultados vão mesmo demorar a aparecer.

A tudo isto, soma-se a inexperiência de Joãozinho, o desgaste – a todos os níveis – de Capel, a inconstância de Carrillo e, mesmo com Jeffrén e Labyad para as sobras, a falta de um verdadeiro número dez.

Resta-nos esperar que, dentro do descalabro, tudo se encaixe. Esperemos que jogadores como André Martins  a revelação da época passada  ou Schaars  o pêndulo do meio campo  regressem de forma regular e que possam ser encarados como dois verdadeiros reforços. Aguardemos que jogadores como Zezinho ou Pedro Mendes possam corresponder de forma efectiva. Acreditemos que a média de golos por jogo comece a ser superior à média de lesões – e de castigos.


Depois do jogo desta noite, à saída do relvado, as primeiras palavras de Jesualdo Ferreira evidenciam que, daqui para a frente, o caminho está traçado: « Se a inexperiência pesou? Não quero pensar assim. Foi esta a direcção que se decidiu tomar, em relação à equipa, e é nesta linha que vamos continuar a trabalhar. Este é o plantel que temos. E é com ele que temos de continuar a trabalhar». 
Direcção e equipa técnica – por falta de meios ou por escassa habilidade – fizeram uma escolha e é por ela que terão de responder e de ser responsabilizados. Muitos jovens, qualidades duvidosas e posições não reforçadas. É com estas condicionantes que teremos de lidar, no mínimo, até ao final desta temporada.

No entanto, a mensagem que esta direcção pretende passar é a de que a falta de acção no mercado de transferências se deveu a erros exteriores e de que, a partir daqui, não há desculpas, já que todos estão avisados. Considero-me avisado, mas, acima de tudo, não menos exigente. A bem ou a mal, vamos acabar nos lugares da Europa e este conjunto de jogadores sabe que tem a obrigação moral  individual e colectiva  de fazer muito melhor. Não tenham dúvidas, a segunda volta será mais risonha e vamos terminar a época nos lugares europeus. Mas, fica a ressalva: nunca numa vida desportiva centenária esse foi o objectivo.


Ass: O Sporting somos nós.