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Mercados

por 16 de Fevereiro de 2013Hoje é dia de Sporting0 Comentários

24 de setembro. Primeira volta, em Alvalade. O Sporting vai perdendo com o Gil Vicente e arrisca-se a não vencer qualquer um dos primeiros quatro jogos do campeonato. Duas oportunidades claras desperdiçadas nos primeiros cinco minutos e um erro defensivo colocam a equipa a perder dois minutos depois Um jogo inteiro a correr atrás do prejuízo, com menos arte que empenho, mas com resultado final positivo. E uma expulsão anedótica de Labyad. No pós-jogo, as parangonas hesitantes entre uma «vitória sofrível» e a «revolta de coração» dos pupilos de Ricardo Sá Pinto. 


O Sporting conseguia a primeira vitória na Liga e afugentava alguns fantasmas. Para os adeptos, era como se de uma reedição se tratasse. À imagem do ano anterior, com o 3-2 na Mata Real, uma vitória arrancada a ferros permitiria que a equipa se libertasse e reencontrasse de vez o hábito de vencer. Porém, os jogos seguintes vaticinaram o que iria restar da presente época. Numa nova ronda de quatro jogos, o Sporting voltou a somar apenas mais dois pontos e, ainda que a vitória caseira frente ao Braga tenha serenado alguns ânimos, a equipa não mais descolou do meio da tabela. 

Cinco meses depois, a situação consolidou-se como dramática, ao ponto de António Fiúza, presidente do Gil Vicente – e que já nos habituou a comentários pouco dignos sobre as capacidades dos jogadores leoninos –, considerar que ambos os clubes lutam pelos mesmos objectivos: «Há umas sete ou oito equipas que continuam a lutar para não descer. Neste momento, por incrível que pareça, o Sporting também está incluído». 



A verdade é que, quem se recorda da vitória frente ao Gil Vicente, na 4ª jornada, facilmente chega à conclusão que este era um desfecho possível. Difícil, contudo imaginável. O Sporting não está, certamente, a lutar pela manutenção, mas a falta de futebol e o fosso cavado para as equipas mais bem colocadas, não permite à equipa contradizer tais afirmações. Resta-nos confiar que António Fiúza se recorde de uma atitude semelhante de António Salvador e que o jogo de hoje lhe sirva para avivar a memória quanto aos resultados práticos desse tipo de provocações. 

Para a ida a Barcelos, Jesualdo continua com problema central. Rojo e Boulahrouz continuam de fora. Pedro Mendes e Xandão já têm um futuro traçado, que não passa pelo Sporting. Fica a questão: por muito profissionalismo que se tenha, até que ponto é que dois jogadores altamente desmotivados e certos de que em nada o futuro da equipa os irá afectar são capazes de representar a equipa principal do Sporting com toda a dignidade e disponibilidade mental? 

A confirmarem-se os cenários de saída de ambos os jogadores, estamos apenas a olhar para mais um dos muitos equívocos do projecto directivo. A saída de um activo como Pedro Mendes para o Parma – ainda que pouco utilizado – só é justificável com a obtenção de um encaixe mínimo que legitimasse ter realizado um investimento de vários anos na formação do jogador. Já a saída de Xandão, pelos alegados ordenados em atraso, vem consumar o alerta de Godinho Lopes, de que haveria a necessidade de trazer para o clube alguns milhões que permitissem fazer face às despesas correntes – ordenados incluídos.


Parece que não pagar salários se trata de apenas mais uma das muitas inevitabilidades na história recente do clube. O problema é que, com o acumular dos juros e das jornadas, e mesmo com candidatos e eleições, ninguém sabe muito bem como sair disto. Enquanto isso, as agências traçam um perfil abaixo de lixo e o clube continua à espera de um investidor exterior que permita o regresso aos mercados.

Nota: Declarações de Jesualdo: «Rui Patrício é uma pessoa excelente, um capitão que está cada vez mais a assumir essa posição e se vier a ter propostas e o Sporting aceitar e ele sair, acho que será um prémio merecido para ele, pela forma como se envolveu no jogo e no trabalho, é um prémio para quem trabalhou tanto, e mais um sinal para o Sporting que podem trazer-se mais jogadores de grande qualidade, como outros clubes fazem». Rui Patrício é dos poucos jogadores que podem fazer chegar algum dinheiro aos cofres do clube e o terreno já está a ser preparado. 



Ass: O Sporting somos nós.