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Desperdício de energia

por 23 de Fevereiro de 2013À saída do estádio0 Comentários

O Sporting actual continua a ser pródigo em todo o tipo de acontecimentos. Ontem, a equipa voltou a provar que, para vencer, é preciso muito mais do que jogar futebol. 

Os astros alinharam-se e houve de tudo. A chuva forte, os relâmpagos a rasgar o céu, a falta de luz na Amoreira, um erro primário de um guarda-redes de topo, uma defesa em cima (?) da linha de golo, o falhanço de uma grande penalidade decisiva e a imediata cobrança de um livre directo irrepreensível a sentenciar o jogo.
Estoril 3-1 Sporting. 22 Fev 2013. Fonte: Jornal Record

Se o golo de Van Wolfswinkel, aos 5 minutos, parecia encaminhar a equipa para uma exibição e um resultado semelhantes aos da partida em Barcelos, a falha de energia – a que a direcção do Estoril disse ser alheia – veio comprovar que, quando se trata de um jogo do Sporting, é preciso contar com um sem número de peripécias imprevisíveis. Após o recomeço, a equipa ainda mostrou alguns pormenores, mas o final da primeira acabou por mostrar uma dinâmica a média luz.

Apesar de tudo, ao olhar para o jogo da primeira volta, Jesualdo até soube montar uma equipa com o mesmo figurino, mas com uma postura um pouco diferente. Sabendo da maior rapidez por parte dos avançados estorilistas, o professor percebeu que, ainda que com maior favoritismo, era preciso baixar o bloco defensivo, encurtar o espaço nas costas da defesa e dar a condução do jogo ao adversário. Até certo ponto, a estratégia até resultou, mas os acidentes de percurso foram mais que muitos.

Sobre o erro de Rui Patrício – que aqui tantas vezes foi alvo de elogios e regozijo pelas fantásticas exibições –, há que dizê-lo: influenciou o jogo, retirou confiança à equipa e, só não se tratou de uma situação mais confrangedora porque, como referiu Jesualdo, «Pensei que ia ser vermelho, mas só o árbitro é que pode decidir, provavelmente foi um erro do árbitro». Tratou-se de um erro de palmatória que, como diz a velha máxima, acontece aos melhores. Entretanto, e para reflexão futura, vale a pena passar esta mensagem ao balneário: Rui Patrício joga na posição de guarda-redes e, como tal, não é obrigado a jogar 90 minutos como se de um líbero organizador de jogo se tratasse. Não há ninguém que ainda não se tenha dado conta de que os atrasos para Patrício são cada vez mais frequentes – e esse facto só demonstra as dificuldades da equipa em ter posse de bola no meio campo adversário e, ao mesmo tempo, a confiança que o guarda-redes tem transportado para dentro de campo.

Depois disso, o que o jogo mostrou, foi a certeza de que: daqui para a frente, o avançado que falha o terceiro penalty da temporada não pode continuar marcar; apesar da inconstância, Labyad vai mostrando sinais de que pode trazer mais soluções para o lugar; Carrillo, mesmo displicente, é o verdadeiro motor da mudança no jogo ofensivo da equipa; Miguel Lopes, com lugar cativo, continua demasiado confiante e demonstra até alguma sobranceria na forma como aborda alguns dos lances; Dier, mesmo inexperiente, é já uma certeza; Ilori precisa de mais tempo; Bruma é craque, mas precisa de mais sensibilidade na hora de entregar a bola; e Rojo, ao centro ou à esquerda, ainda tem muito para pedalar.

No final, mais uma vez a sensação de que se tratou de uma daquelas partidas em que, mesmo contando com o factor karma, a derrota – e os três golos sofridos – não revelou o que se passou dentro das quatro linhas. Aqui há dois meses, o mesmo resultado daria aos adeptos um outro olhar: o de um grupo de jogadores pagos a peso de ouro e com um rendimento ao nível de medalhas de lata.


Hoje, com um grupo de jogadores com enorme potencial, mas, com os quais os níveis de exigência ainda têm de ser diferentes, a derrota de ontem é um resultado ainda mais difícil de digerir. Um grupo de miúdos, que já provou perceber mais de bola do que muitos dos que por lá passaram - e que ainda recebem salário no final de cada mês -, não merece que dois ou três erros individuais comprometam o resultado e a confiança da equipa. Resta ter paciência e esperar que, mesmo com sobressaltos, esta equipa não pare de crescer, porque todos estamos convictos de que, comparando com os últimos meses, com chuva ou com sol, ver esta equipa jogar, já não é um desperdício de energia.


O Sporting somos nós.