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Plano de Destruição

por 17 de Janeiro de 2013Hoje é dia de Sporting0 Comentários

Tal como muitos de vós, o Sporting confunde-se com a minha existência. Na verdade, não consigo recordar o momento em que felizmente decidi definir o clube do leão como o preferido do meu coração. Apesar do meu agregado familiar simpatizar com o Sporting, nunca fui obrigado a rejeitar todas as outras opções e lembro-me vagamente de segui-las e observar as suas vitórias. Mas aqui entra a figura do meu avô que, sendo sportinguista sofredor, contava com emoção as histórias gloriosas que pontuavam a existência do clube de Alvalade. Desde pequeno me lembro de ouvir falar em Peyroteo e em Joaquim Agostinho, Carlos Lopes ou António Livramento, Yazalde ou Travassos e confesso que marcou-me aquela ideia de clube diferente que foi sempre chegando até mim. Será muito mais fácil, ainda mais hoje, ser adepto de outros clubes do nosso panorama desportivo, mas a conjugação de passado glorioso e eclético com um futuro promissor, faz de nós muito mais do que simples adeptos. Nós somos o nosso clube.

Em primeiro lugar, pretendo fazer uma declaração de interesses. Não apoio qualquer fação, candidato ou cisão que se pretenda fazer no Sporting. Assim, também não afirmo ser alinhado com esta direção que tanto mal tem feito ao nosso clube.  A independência é um valor que prezo, que não me fará apoiar cegamente qualquer opção tomada no seio do Sporting, mas que permitirá o meu respeito sempre que isso ocorra.
A atualidade do nosso clube tem sido dominada pela convulsão diretiva desde o dia das eleições. Ficou logo bastante claro que Godinho Lopes nunca seria o Presidente que uniria as bases sportinguistas em torno do clube. Porém, no início da temporada 2011/2012, o projeto delineado por Godinho Lopes, Luís Duque e Carlos Freitas para o futebol profissional parecia palpável com a contratação de Domingos para o comando técnico bem como de diversos jogadores que acalentavam a esperança de todos nós. No final de contas, a equipa diretiva escolhida por Godinho Lopes provou ter pouco de equipa e, aliada às tomadas de decisão incompreensíveis e intempestivas da figura do Presidente, chegou-se facilmente à conclusão de que o projeto que Godinho Lopes apresentou ao eleitorado verde e branco foi inconclusivo pelo simples facto de que nunca existiu. Assim, a demissão ou destituição, como se pretende com a realização da Assembleia Geral Extraordinária, envolta também ela num imbróglio jurídico, da direção de Godinho Lopes impõe-se para que o futuro do nosso clube seja mais estável.
Nos últimos dias mais uma notícia surgiu nos jornais, e não foi pelos melhores resultados desportivos da equipa agora comandada por Jesualdo Ferreira. A tão prometida reestruturação da dívida prometida por Godinho Lopes e tão urgente para a sobrevivência do clube como o mesmo afirma, chegou finalmente e mostra mais uma vez como o Sporting vive nas garras do poder do sindicato bancário que assume a dívida dos leões.
O plano que cobrirá os €230 milhões de passivo seria composto por duas vertentes. Em primeiro lugar, €130 milhões seriam cobertos por um empréstimo a 40 anos com uma taxa de juro de 1% , com a garantia a ser constituída pela total quotização dos sócios do Sporting. O valor restante seria dividido entre valor perdoado pela banco e pelo famigerado e ainda incógnito investidor que Godinho Lopes prometeu rapidamente encontrar.


Olhando muito rapidamente ou até com atenção redobrada para este plano torna-se evidente que, por mais que nos digam que no futuro a situação financeira do Sporting irá melhorar, continua a ser muito difícil acreditar em todos esses mensageiros otimistas. Toda a confusão de termos normalmente conotados com instituições financeiras que continuam a ser utilizados quando se fala no Sporting cria em todos a ideia de que tudo poderá ficar ainda pior. E a verdade é mesmo essa. Este é mais uma prova de que o Sporting é sempre alvo de contratos leoninos por parte da banca.

Passar a responsabilidade de atos de má gestão, que têm pontuado a vida recente do nosso clube, das equipas diretivas para o sócio anónimo que, pagando a sua quota, mostra querer apoiar muito mais do que uma equipa de futebol, é desrespeitoso por todos aqueles que apoiam e fazem do Sporting uma parte importante da sua vida. O caminho mais justo para todos os simples adeptos que compõem a maioria da massa associativa, passaria pela responsabilização civil de todos aqueles que ao longo dos anos fizeram do Sporting um trampolim para os seus negócios e que se aproveitaram ou foram protagonistas em negócios ruinosos e que hoje, colocam o Sporting na iminência da extinção.

Porque urge acabar com toda esta situação que continua a fazer do nosso clube alvo de brincadeiras menos bem-intencionadas na praça pública, este plano de reestruturação nunca poderá ir para a frente, pois o Sporting somos nós e não apenas os notáveis do Conselho Leonino e outros que tais que, esses sim, são bastante responsáveis pela terrível situação financeira que o Leão atravessa.

Afastando isto do nosso pensamento, o Sporting recebe amanhã o Beira-Mar. Se em Olhão já foi visto algum futebol que tinha desaparecido havia muito tempo, este encontro é decisivo para provar que o trabalho de Jesualdo Ferreira poderá ser mesmo importante para alcançar os nossos, agora modestos, objetivos. Assim sendo, e como em todos os desafios em que participa, os onze leões, terão de entrar em campo com os três pontos no pensamento para brindar os adeptos que certamente voltarão a Alvalade para apoiar a nossa equipa.

Ass: Sporting não de Lisboa, mas de Portugal.