Olhanense-vs-Sporting-Lusa-

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por 14 de Janeiro de 2013À saída do estádio0 Comentários

O golo inicial não deixa mentir: o Sporting fez a melhor exibição dos últimos tempos. Pela primeira vez em várias jornadas, a equipa ganhou bem, ganhou cedo, com espaço, com justiça, com tranquilidade e sem sobressaltos. 

Apesar de um ou outro momento de desacerto – quer no ataque quer na defesa –, no balanço geral dos 90 minutos, o Sporting dominou a partida. Desta vez, a ideia de que, de um momento para o outro, tudo vai correr mal e de que a equipa vai sofrer até ao apito final, ficou de lado. Foi apenas uma vitória, é verdade, mas a serenidade com que foi conseguida deixa perceber que os fantasmas dos minutos finais, do cansaço, das expulsões e dos erros amadores foram visitar outro estádio, que não o José Arcanjo. 


Depois de uma vitória frente a um Paços forte e cada vez mais regular, Jesualdo Ferreira sabia da importância de de somar três pontos e de não esgotar este balão que resulta da mudança de timoneiro. E, para isso, era preciso vencer. 
Olhanense 0-2 Sporting. 13 Jan 2013. Foto: Agência Lusa
Em Olhão, a equipa encontrou um adversário que também trazia na manga um novo treinador, no caso, Manuel Cajuda. Um treinador recém-chegado que, na antevisão da partida resolveu afirmar-se como cujo favorito. Tal como já o tinha feito António Salvador – e estes dois foram os casos mais visíveis –, Manuel Cajuda também resolveu tentar vencer o Sporting com mind games de véspera. Esticou a corda, partiu e ficou de lição para os adversários seguintes. 
O Olhanense acabou dominado por leões que, apesar de não terem apresentado um futebol de luxo – longe disso –, não se deixaram afundar ainda mais nos resultados de lixo. À semelhança do que já mostrou ser capaz de fazer no passado, a equipa entrou forte e, nos primeiros 20 minutos, com posse de bola e remates, provou estar verdadeiramente empenhada em rasgar a página e responder ao apelo de Jesualdo.
Acima de tudo, e porque as preocupações defensivas foram poucas ou nenhumas, o 4-3-3 ou 4-2-3-1 de Jesualdo conseguiu colocar mais gente no ataque. E isso já foi importante. Labyad, o primeiro a mostrar serviço, foi um dos motores de uma equipa que, ao contrário do que tem sido norma, não se deixou esmorecer com o passar dos minutos. Capel e Jeffrén, ainda que nem sempre bem, principalmente nas tentativas de romper sozinhos a defesa olhanense, formaram, juntamente com o marroquino, o verdadeiro trio de apoio a Ricky que há muito se esperava. Mesmo sem encostar o adversário às cordas, a maior velocidade, em gestos individuais ou em triangulações, foi notória e a intensidade colocada na disputa de lances foi satisfatória. 
Jesualdo, ainda com pouco dedo na obra, teve, pelo menos, o mérito de não inventar. A própria entrada de Miguel Lopes – que naquele jeito tranquilo pouco se aventurou – teve algum grau de previsibilidade, tendo em conta as dificuldades em consolidar um jogador regular no lado direito da defesa. Quanto aos miúdos, Jesualdo voltou a mostrar que conta com eles: Zezinho ganhou minutos e terreno à concorrência, enquanto a entrada de Eric Dier foi a confirmação dada pelo treinador de que a aposta começada por Franky Vercauteren é para continuar.
A página está longe de ser rasgada e o rendimento da equipa continua a ser tudo menos entusiasmante, mas o jogo em Olhão serviu para provar que, com ou sem novas transferências, ainda há capacidade de virar algumas páginas e escrever histórias com os que cá estão. Mesmo que alguns deles não passem de notas de rodapé ou de pontos de interrogação.

Ass: O Sporting somos nós.