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Outra voz

por 9 de Janeiro de 2013Hoje é a tua vez0 Comentários

Este é um blogue de Sportinguistas e para Sportinguistas, de tal forma que continuamos a dar “voz” a quem nos tem acompanhado. Na rubrica “Hoje é a tua vez”, deixamos o texto do adepto Tiago Domingos.



“Não há nada mais complicado do que decidir por que palavras começar a escrever este texto. Não me sai da cabeça a imagem de uma menina, talvez com 10 anos, no Estádio de Alvalade, com um cartaz que dizia: “Quero ser campeã até aos 20 anos”. 

O paradigma sportinguista mudou. Não irei falar de questões directivas porque, sobre isso, tudo foi explanado e discutido. O rei vai nu e só não o vê quem continua agarrado a uma ideia de um Sporting que já não existe. Na verdade, e apesar de o clube estar em crise, o futebol profissional é apenas a parte mais visível do mesmo. Continuamos a ser um clube ecléctico em que a independência financeira é ponto assente, mais do que em qualquer outro clube, e em que os bons resultados se sucedem não por uma inusitada e súbita propensão para as modalidades, mas por um plano estrutural, em que a aposta na formação e em jovens valores leva a que o futsal, atletismo, andebol e ténis de mesa sejam desportos com grande tradição vencedora dentro do nosso clube.

Mas, o futebol profissional tem estado em declínio, tanto ao nível de talento, que proporciona os bons resultados, bem como financeiro, que se alastra a todo o espectro sportinguista. O modelo empresarial imposto por José Roquette, que não tem em conta os adeptos, os verdadeiros clientes, mas sim os credores, nunca poderia funcionar e o clube vai-se afundando numa espiral financeira descendente que só terminará numa potencial extinção. A entrada de um eventual investidor seria a solução para este cenário, mas contar com a entrada de um qualquer milionário ou investidor num clube mais do que falido, a fazer uma temporada miserável e afastado de qualquer título, seria não só improvável como também totalmente irresponsável.

Assim, reafirmo a ideia de que o paradigma sportinguista terá de mudar. Como qualquer organização deficitária, terá de reestruturar toda a sua organização. Em primeiro lugar, esta passa pela reorganização de todos os gastos feitos pela estrutura. Essa avaliação terá de ser fortemente baseada na produtividade obtida por cada organismo, equipa ou pessoa que faz do Sporting o seu local de trabalho. Assim, não poderia ser possível pagar o que eventualmente se paga a alguns elementos que fazem da equipa de futebol profissional não o seu local de trabalho, mas um local onde vão para receber o seu ordenado. Depois, e isto é um ponto sempre realçado por todos quantos falam do Sporting, a aposta na formação tem de ser firme e sem possibilidades de um regresso ao que se assiste hoje em dia. Os resultados positivos obtidos ano após ano pelas camadas jovens sportinguistas, aliados ao bom desempenho dos elementos emprestados noutros clubes até aos daqueles que foram preteridos em certas ocasiões, em detrimento de elementos que chegaram ao Sporting e não vingaram, mostram que a formação não pode ser um chavão presente na boca de todos os sportinguistas, mas uma realidade palpável. 

Por último, a aposta no mercado de transferências apenas poderia ser efectuada numa lógica de compra-venda, ou seja, parte do lucro da venda de um qualquer elemento sportinguista poderia ser aplicada na compra de um outro elemento, mas apenas no caso de a solução apresentada pela formação sportinguista não satisfazer, e isso ocorre muitas vezes. Porém, o elemento contratado teria de ter bem presente a ideia do que é o Sporting e do que seria para ele representar um clube como o nosso. Assim, a aposta no mercado nacional seria prioritária, bem como a aposta em elementos com capacidade de evolução que possam ajudar a nossa equipa a crescer.

Produtividade, formação e aposta inteligente no mercado de transferências. Estes são os três pilares que devem nortear a gestão do futebol profissional sportinguista. Tal como milhões de portugueses, também eu sou apenas um simpatizante e adepto sportinguista. Não sou sócio nem tenho qualquer previsão de me inscrever, pois entendo que não é um cartão com a minha fotografia que faz de mim mais sportinguista do que qualquer outro. Mas, o estado do nosso clube talvez me preocupe mais do que alguns sócios e alguns notáveis que fazem da presença no inútil Conselho Leonino um desígnio dos deuses.


Porque me preocupa a imagem que vi. Lembro-me de ser como aquela menina que não ganhava títulos, mas que ficava meio contente com o bom futebol então apresentado. Agora, nem resultados nem bom futebol. Façam um favor a todos, não matem o Sporting Clube de Portugal. Mesmo com a vitória de hoje, não se apaga a ideia que, mudar de presidente é obrigatório e fundamental.


Um enorme abraço

 Tiago Domingos.”