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Filmes e novelas

por 6 de Janeiro de 2013À saída do estádio0 Comentários

O Paços de Ferreira é uma das revelações do campeonato. Verdade. O Sporting é a maior desilusão do campeonato e, porventura, de todas as ligas europeias. Verdade. Ainda assim, e apesar de este ser um filme já muito repetido – oportunidades desperdiçadas, fraca qualidade de jogo e pouco ou nenhum domínio territorial ou mesmo psicológico sobre o adversário –, o Sporting tem a obrigação de vencer, em casa, uma equipa que tem um orçamento anual cerca de dez vezes inferior e uma massa adepta dez vezes menos exigente.

Aliás, a obrigação mínima dos onze jogadores que entram em campo de verde e branco é demonstrar, perante um público ansioso por títulos, que, no mínimo, estão preocupados em dar a volta a uma situação que pode levar à pior classificação de sempre da história do clube. E, em Alvalade, perante 20 mil adeptos, isso não aconteceu. Vercauteren garante que os jogadores querem inverter o rumo e diz que não se pode queixar «do coração e do espírito da equipa». Podemos não duvidar da vontade e do profissionalismo, mas, nesta altura do campeonato, é natural que os adeptos coloquem todas as hipóteses.


Mesmo com um Paços de Ferreira mais recuado e a criar perigo apenas em remates de meia distância, a equipa nunca conseguiu segurar o jogo de forma regular, nem soube mostrar que, em Alvalade, manda o Sporting. Numa primeira parte em que Capel ainda atirou uma bola ao poste, Adrien mostrou alguns pormenores e Rojo mostrou algumas melhorias com a troca de posição, a equipa saiu para o balneário a perder e com mais de uma mão-cheia de exibições individuais – mais uma vez – desapontantes. Rinaudo foi a âncora, Boulahrouz e Xandão, muito nervosos, comprometem, Jeffrén precisa de mais músculo e de mais jogo, Cédric precisa de não ser encarado como o habitual dono da posição. Ter mantido João Pereira para ajudar ao crescimento do actual lateral direito deveria ter sido a opção.

Da segunda parte, também pouco a registar. A equipa não foi inferior ao adversário, mas subiu no terreno sem qualquer critério e criou oportunidades de forma atabalhoada e inconsequente. Mesmo nas poucas jogadas dignas de registo, os jogadores parecem entorpecidos e, quase sempre, optam pela pior opção possível.


Apesar de toda esta falta de empatia entre jogadores e entre jogadores e adeptos, as críticas de quem se desloca a Alvalade continuam a ter um destinatário óbvio: Godinho Lopes. No final de mais uma derrota, é contra o actual presidente e direcção que os adeptos se juntam para gritar. É contra Godinho que as claques se revoltam.

No Sporting, tudo é turvo, todas as decisões parecem tomadas em cima do joelho e todos falam – em qualquer lugar e com as mais diversas opiniões – sobre todos os assuntos. As novelas dos desportivos sobre possíveis transferências ajudam a enevoar o ambiente, mas a falta de capacidade organizacional e de discurso directivos não deixam margem para dúvidas de que, tal como está, o futebol profissional não pode continuar.

O caso Marat Izmailov é apenas mais uma confirmação que atrás foi dito. A ida para o Porto não é confirmada nem desmentida pela estrutura Godinho e, com o avançar dos dias, esfuma-se cada vez mais a hipótese de o Sporting alcançar um bom negócio. Para além disso, não se sabe de quem partiu a iniciativa para arrancar com as negociações, o que pode – ou não – explicar porque é que o russo, mesmo em conversações, continua apenas a treinar e a não jogar. Izmailov é um dos melhores jogadores que passaram por Alvalade nos últimos anos e, em campo, sempre mostrou como é que se transpira a camisola.

A confirmar-se a contratação, ver jogar o Czar de azul e branco, de forma regular e numa equipa que pode retirar dele o melhor que ainda tem para dar, será uma dor de alma e mais uma machadada na já ferida esperança leonina.


Venha Liédson, que, mesmo fora de tempo, tem capacidade para devolver golos e algum brilhantismo à equipa. O Levezinho foi um dos principais responsáveis por, nos últimos anos, despertar nos adeptos a vontade de ver futebol, tal como o tem feito a equipa de futsal que, hoje, honrou a camisola com mais uma vitória.