liedson

Esta direcção é um 31

por 25 de Janeiro de 2013Os textos do Damas0 Comentários

No início do mês, quando a saída de Izmailov era dada como possível e já se falava no regresso de Liédson a Portugal, n ’As redes do Damas escrevia-se o seguinte: «A confirmar-se a contratação, ver jogar o Czar de azul e branco, de forma regular e numa equipa que pode retirar dele o melhor que ainda tem para dar, será uma dor de alma e mais uma machadada na já ferida esperança leonina. Venha Liédson, que, mesmo fora de tempo, tem capacidade para devolver golos e algum brilhantismo à equipa. O Levezinho foi um dos principais responsáveis por, nos últimos anos, despertar nos adeptos a vontade de ver futebol.»

Pois bem, em pouco mais de duas semanas, Izmailov jogou – por duas vezes seguidas –, marcou e Liédson já circula pelo Dragão. Em pouco mais de duas semanas, no mercado de transferências pontual e privado entre Alvalade e o Dragão, a direcção leonina aceita deixar partir um controverso, mas, ainda assim, idolatrado Izmailov e permite – por decisão própria ou por incapacidade – que um dos maiores ídolos do público leonino em mais de dez anos siga o mesmo caminho. Se dúvidas havia de que este é o pior ciclo anímico e classificativo da história, os últimos dias vieram provar que, no futuro, será preciso nervos e coração de aço. Mais uma vez, os adeptos do Sporting assistem ao desbaratar da memória desportiva do clube.

Liédson já assinou e é jogador do Porto até ao final da temporada, mas apenas a título de empréstimo. Posto isto, pergunto: depois de algumas saídas e do alegado alívio da massa salarial, seria a vinda para Alvalade uma missão assim tão impossível? A julgar pelas primeiras palavras de Liédson após a assinatura – dizendo que este «era um desejo de há alguns anos mas apenas se concretizou agora» – é provável que sim. Como é que um clube tão grande e com uma história tão preenchida não consegue que o bom filho à casa torne? Essa é uma questão que continua por explicar. 

Porém, nem tudo são más notícias. No que diz respeito a contratações, no início do mercado de Inverno, a direcção afirmou ter identificado três alvos cirúrgicos. Neste momento, depois das contratações de Miguel Lopes, Ventura e Joãozinho, e se acreditarmos nas palavras de Godinho Lopes, já não resta nenhuma vaga. E ainda não chegou «o ponta de lança». 

Sobre as apresentações dos mais recentes, o mercado fez chegar mais um guarda-redes para prevenir uma eventual saída. Ventura, de 25 anos, foi suplente no Olhanense e nunca se conseguiu impor no Dragão. Se é parte do negócio Izmailov ou visão de futuro por parte da direcção, não é certo, mas tudo aponta para que, nos próximos tempos, caso a proposta certa apareça, Rui Patrício possa deixar de ser o único elemento verde e branco no onze da selecção nacional. Para a defesa, chega Joãozinho. 23 anos, alto, ex-defesa central e uma das boas surpresas do campeonato. Se foi alternativa apressada para tapar a saída  de Insúa, se foi reforço após a confirmação de Pranjic no Celta ou se, mais uma vez, se trata de uma tentativa de apostar num talento futuro, também não é claro. Mas, mesmo que seja difícil ter uma opinião definitiva sobre se Joãozinho pode ou não vir a ter lugar, é certo que a opção técnica e directiva é, desde já, duvidosa e que o jogador está muito longe de estar habituado a grandes caminhadas.

E que, enquanto todo o turbilhão não passa, a direcção vai caminhando a passos largos e arrastando o clube para o abismo.


Ass: O Sporting somos nós.