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A falta de sorte, a falta de qualidade e a Vitória do antijogo

por 28 de Janeiro de 2013À saída do estádio0 Comentários

Ainda nos corredores de Alvalade, poucos minutos depois do empate frente ao Vitória, repito o mesmo ritual de sempre: coloco os headphones nos ouvidos e tento auscultar as primeiras impressões vindas das entrevistas rápidas e dos comentários. Sei que não devia, mas acabo por ficar surpreendido. 


Fala-se de um «encontro animado», «bem jogado», de uma «vitória que podia cair para qualquer um dos lados» e de um «Guimarães bem organizado». Pois bem, o encontro foi tudo menos animado e bem jogado, a equipa do Sporting – ainda que com algumas dificuldades em criar verdadeiras situações de perigo – foi sempre superior e a equipa que Rui Vitória levou a Alvalade é das piores que tenho visto. Mais uma vez – e já são vezes a mais – o Sporting perde pontos frente a uma equipa a todos os níveis inferior. 


Golo anulado aos 4′. Sporting 1-1 Vit.Guimarães. Foto: zerozero.pt

Em Alvalade, os leões de Jesualdo empataram com um Vitória que, desde o primeiro minuto, passeou em ritmo de antijogo. Pior do que isso, em casa, o Sporting encontrou um Vitória que nunca quis ganhar – nem tão pouco jogar – e um outro elemento em campo que nunca quis que o jogo… se jogasse. Chama-se Carlos Xistra e foi o homem do apito na jornada 1 da época passada, no jogo frente ao Olhanense. Ao longo de 90 minutos – que na verdade, em tempo útil, devem ter sido apenas 30 – Carlos Xistra encontrou sempre forma de quebrar ritmos, dar longas palestras em pleno relvado, aconselhar calma depois de entradas mais impetuosas e mostrar o mesmo cartão amarelo em situações de jogo completamente distintas – basta dar uma vista de olhos ao lance sobre Capel aos 85’ e à alegada falta de Jeffrén aos 90’. Mais uma vez impune, Carlos Xistra voltou a Alvalade de nariz empinado e com uma barriga repleta de soberba. 


Por muito que errem, diz-se sempre que não são os árbitros que decidem os jogos, o que até acaba por ser verdade. Mas, há muito que o árbitro de Castelo Branco já devia ter percebido que, se encontra dentro de si tanta vontade de arbitrar, que o faça apenas em partidas amigáveis de matraquilhos ou de bilhar. 

Enfim, finda a natural descarga emocional decorrente do jogo, é agora tempo de perceber o que se passou do lado de quem procurou jogar. Antes de mais, nota positiva, como é habitual, para as exibições de Rui Patrício e Fabian Rinaudo. Sobre as mudanças produzidas por Jesualdo, a posição de lateral-esquerdo era a que mais dúvidas oferecia. As marcas da saída de Insúa vão demorar a desaparecer e a qualidade de Joãozinho está ainda por apurar – e, porque não, por julgar de forma implacável. Porém, na primeira vez de verde e branco, o ex-Beira Mar aguentou a pressão e conseguiu cumprir o que lhe era pedido sem grandes sobressaltos. Se, daqui para a frente, isso será suficiente para merecer a confiança e pegar de estaca, essa já é outra história. 


Ricky van Wolfswinkel. Sporting 1-1 Vit. Guimarães. Foto: zerozero.pt 
No que diz respeito a Jesualdo, o treinador parece querer mudar pouco a equipa e, sobretudo, procura não inventar. Não fossem as contrariedades físicas dos leões e, em relação ao último jogo, a única alteração – e bem – teria sido a troca de Jéffren por Carrillo que, frente ao Vitória, voltou a ter a capacidade de baralhar as contas. Aliás, mesmo com a habitual displicência com que aborda algumas jogadas, só a falta de sorte – e de pontaria, aos 18′ – fez com que o peruano saísse do relvado a zero.

Em campo, percebe-se que a equipa está mais confiante, que consegue criar algumas situações claras de golo, que já não erra a maior parte dos passes  e que continua a ter, em quase todos os jogos, um número infindável de pontapés de canto. Problema: continua com grandes dificuldades na finalização e com falta de soluções para o ataque. No momento da substituição de Adrien, que já se arrastava, Jesualdo fez entrar Jeffrén e o Sporting terminou o jogo em pleno 4-1-5. Mas, a verdade é que, de cada vez que a bola é lançada para a frente de ataque, Ricky van Wolfswinkel continua a aparecer sozinho e a ser pau para toda a obra. Este domingo, Ricky fez um golo de belo efeito, mas continua a ser muito perdulário e, definitivamente, precisa de concorrência e de um parceiro experiente na arte de balançar as redes.

Já se falou de Liédson, agora fala-se de Ghilas e, amanhã, a conversa pode até ser outra. Até à data de fecho do mercado, esperemos é que não estejamos todos a falar para uma parede e que, no final, acabemos a falar sozinhos.


Ass: O Sporting somos nós.