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Quem quer ser titular?

por 14 de Dezembro de 2012Hoje é dia de Sporting0 Comentários

Antes de mais, uma boa notícia. Os juniores do Sporting venceram o Manchester United por 4-1 e estão na final do Nex Lions Cup, em Singapura. Com os golos de Carlos Mané – este com um pormenor extraordinário –, Edelino Ié e Cristian Ponde, a equipa derrotou um dos favoritos na prova e joga este domingo com o Liverpool. 

É continuar a seguir estes
 – e outros – miúdos, dar-lhes formação e sentido de responsabilidade, já que os próximos tempos não se avizinham nada fáceis e, mais do que nunca, a prata da casa terá de ser valorizada. É com amargura, mas também com alguma revolta, que se percebe que o plano há muito que foi falado, ponderado, proposto, avaliado e até inaugurado, mas nunca aplicado enquanto parte de uma opção assumida, antes como uma saída fugaz e redutora. 


O sinal de que a aposta na formação terá de ser obrigatória, é o constante assédio a que os jogadores têm sido sujeitos, como é disso exemplo a mais recente especulação em torno do interesse do City em levar Bruma para Manchester por 4 milhões de euros, o que considero muito curto. E é neste ponto que mora um dos principais problemas: o facto de a equipa principal – e os seus resultados  – não ser exemplo para ninguém. O plantel sénior do Sporting é como aquele irmão mais velho que dá problemas nas aulas e que chega tarde a casa. Não é exemplo para o irmão mais novo e corre o risco de desmotivá-lo. 


Next Lions Cup 2012. Sporting 4-1 Manchester United

O tema, ainda que gasto, tem de continuar em cima das mesas de discussão. O descalabro financeiro está iminente, é o próprio Franky Vercauteren que o assume, quando diz que « Reforçar a equipa seria bom, mas receio que tenhamos de encontrar soluções mais criativas. É provável que o clube tenha até de vender jogadores no mercado de inverno. Financeiramente o clube não está bem. No entanto, com a ajuda de investidores poderemos comprar alguns jogadores. Presumo que o clube tire algum coelho da cartola». A esta altura do campeonato, já ninguém acredita em coelhos saídos da cartola. A própria palavra “coelho”, por estes tempos, terá uma conotação que ficará exactamente no extremo oposto da possibilidade de acontecerem truques mágicos para ultrapassar dificuldades. 

A menos que se caia no truque de contratar novos Sinama-Pongolle, a actual direcção – e as que se seguirem – tem de acreditar verdadeiramente num trabalho desta natureza. André Cruz, César Prates e Mbo Mpenza fizeram parte de uma conjugação de factores que se tratou de one in a million, e que muito dificilmente se repetirá.

E, por falar em entradas e saídas, Daniel Carriço, que até há bem pouco tempo era um dos jogadores observados pelo Manchester City, está em final de contrato. Aqui fica bem patente mais um dos muitos erros de gestão desta direcção. Carriço, apesar de pouco utilizado, continua a ser um dos jogadores de valor deste plantel e dos poucos que percebe o que é ser Sporting e vestir de verde e branco. O facto de a direcção estar preparada transferir um jogador como Daniel Carriço a custo zero é aflitivo. Quanto a Izmailov, acredito – e resta apenas acreditar  – que tudo não passa de puro fogo de artifício.

Este sábado, frente ao Nacional, nem Carriço, nem Boulahrouz, nem tão pouco Marcos Rojo, Rinaudo e Carrillo. É mais um sinal de alarme. A poucas horas do jogo, já ninguém faz apostas sobre quem joga de início e parece que a equipa entrou na era do “Quem Quer Ser Titular?”. Para a Madeira, Vercauteren levou 25 jogadores, entre os quais seis da equipa B, como Pedro Mendes, João Mário ou Ricardo Esgaio. O resgate de jogadores ao Sporting B já está em marcha e, até ao final de Janeiro, outros devem aparecer, até porque o mercado deve trazer algumas novidades.


Ainda assim, sem grandes ambições financeiras, direcção e treinador têm de fazer melhor. Os que cá estão, carregam o dever moral conseguir melhores resultados: por eles, mas, acima de tudo, pelos adeptos e instituição. Uma instituição mais uma vez espezinhada por quem tem a obrigação de pensar duas vezes antes de a mencionar. Como é o caso de Eusébio da Silva Ferreira, que decidiu afirmar que «Este Benfica só perdia em Alvalade com os juniores». Eusébio tem razão, já que os juniores do Benfica estão atrás do juniores do Sporting na classificação, logo, a possibilidade de vencerem em Alvalade é diminuta. Mas, aquele que tem a alcunha de “pantera negra”, tem vindo a provar que a veneração de que é alvo não se ajusta aos actos de deselegância de que é capaz.