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Passeio leonino

por 6 de Dezembro de 2012Hoje é dia de Sporting, O Sporting lá fora0 Comentários

Na última semana, foram muitas as iniciativas. Um jogo de solidariedade contra a selecção do Algarve; a visita aos Núcleos; a visita – via Twitter – dos jogadores ao Museu; o apoio do Conselho Leonino a Godinho Lopes; e o almoço – do mesmo Godinho Lopes – com alguns notáveis. 

Se, por um lado, é preciso sublinhar a importância de não desviar a atenção da performance desportiva da equipa, por outro, mais há para comentar. 

É difícil concordar com almoços de notáveis pouco depois de um Conselho Leonino, e ainda mais quando se trata de almoços que ocorrem à margem e que são utilizados para discutir de forma pouco clara algumas das linhas orientadoras do clube durante os próximos tempos. Pergunto: as cinco horas de duração do Conselho Leonino não foram suficientes para perceber opiniões e discutir opções? 

A discussão deve ser feita, a nível interno, pelos dirigentes, e, de preferência, sem divulgar diariamente todos os passos e mudanças. Há muito tempo que a palavra “blindar” faz parte do dicionário do futebolês, mas parece que, para os actuais dirigentes leoninos – que nem conseguem esconder a própria ida ao balneário no intervalo do jogo com o Moreirense -, o verbo é de difícil compreensão. 

Semana após semana, dia após dia, as notícias, o “diz que disse” e os sound bites perseguem o Sporting. De todo o lado – tal como nós o fazemos – e, em grande parte, com origem na estrutura interna do clube, são cada vez mais as opiniões, as críticas e um verdadeiro Big Brother verde e branco. 

Visita do plantel ao Museu Mundo Sporting. 
A própria visita dos jogadores ao Museu - a “visita de estudo”, como já muitos a apelidaram -, planeada pela direcção para motivar o plantel, foi interrompida pelos holofotes das redes sociais, com fotos divulgadas pelos próprios jogadores e o consequente chorrilho de críticas nas caixas de comentários dos mais diversos sites. Enfim, mesmo em semana de “folga”, o plantel liderado por Vercauteren não teve descanso. 

No campo, depois do pesadelo Basileia e do pesadelo Moreirense, o Sporting «voltou às vitórias», frente à selecção do Algarve. O resultado, obviamente, nada interessa. O mais importante: ter visto alguns jogadores que mal têm calçado as botas? Nem por isso, até porque, neste tipo de jogos, raramente se joga a um nível relativamente alto. Para registo futuro ficou a solidariedade e a ideia de que o Sporting precisa de estar presente nestes momentos. Como clube centenário, de de cariz inclusivo e solidário, o Sporting precisa de ser pro-activo, de tomar a iniciativa e de dar a cara por causas, seguindo a tradição histórica de um clube dedicado e ciente das suas responsabilidades. Foram 37.500 euros. Podiam ter sido mais, mas foi o que foi. E não foi pouco. Tal como não foi pouco o dinheiro de que abdicou Sá Pinto: um ano completo de salários, mostrando também ele a preocupação e a responsabilidade perante a actual situação leonina. Ex-jogador, ex-treinador e ex-dirigente, por muitos erros que já tenha cometido com esta camisola, o Ricardo tem mesmo um coração de leão.
Mas, nem esse coração foi suficiente para encaminhar esta equipa, e foi mesmo um jogo frente aos búlgaros do Videoton que ditou o final - já aguardado - da era Sá Pinto. Se bem se recordam, Sá Pinto resolveu poupar alguns dos titulares e trocar alguns jogadores - incluindo a titularidade de Gelson Fernandes a defesa direito -, devido à proximidade do jogo no Dragão, frente ao Porto. Pois bem, Sá Pinto perdeu de forma humilhante na Bulgária e o treinador no Dragão já foi outro. 

Por isso é que, quando leio as gordas e a notícia é a de que «Leões poupam a pensar no Benfica», dou por mim a pensar: poupar o quê? Como é que se poupam jogadores dentro de um plantel que só tem dado provas de mediocridade? Para que serve poupar o físico dos jogadores quando a maior parte deles não joga há dez dias? Será que, de hoje para segunda-feira, não é possível encontrar tempos de recuperação? Com o mal dos outros podemos nós bem, mas, sobre este assunto, penso que podemos olhar para o que fez Vítor Pereira com Braga e Paris St Germain. 

Hoje, não há espaço para poupanças. De hoje em diante, não pode haver poupanças. Os onze que entram em campo, todas as semanas, têm de ser os mais competentes para honrar a camisola do Sporting Clube de Portugal.

Ass: O Sporting somos nós.