Jue

Os Guerreiros do Reino do Leão

por 11 de Dezembro de 2012À saída do estádio0 Comentários

Está cada vez mais difícil escrever sobre o Sporting…

Sobre o jogo de ontem, com mais este mau resultado o Sporting, à 11ª Jornada, fica a 18 pontos dos líderes e a 9 do 3º classificado. Em relação ao fundo da tabela, após este jogo, o Sporting está apenas 2 pontos acima da linha de água e a 4 pontos do último.


O Sporting entrou com atitude, agressividade e com alguma inteligência para aproveitar o posicionamento do adversário, mas, à medida que o tempo – até ao minuto 32 – foi passando, não teve força, nem física nem mental, para continuar a disputar o jogo de igual para igual.

Para o registo fica um grande jogo de R.V.Wolfswinkel – este primeiro com um grande golo -, Capel, Insúa e Rinaudo. Do jogo, fica ainda a ideia de que o Sporting não soube aproveitar para fazer o segundo golo: após mais um falhanço do senhor 9 milhões, a equipa sofre um golo aos trambolhões, manda uma bola ao poste e desaparece. É verdade, o adversário foi mais forte, jogou com 11 e tem um treinador que conhece as manhas do futebol português. Mas, nós não perdemos, o adversário é que, frente aquela “equipa” que joga com as nossas cores e o nosso símbolo, ganhou.


Não vou continuar a escrever que o Godinho está a matar o clube, que o Pranjic não tinha lugar nos juniores do Sporting, que o Elias não sente o peso da mais bela camisola do mundo e que o Franky Vercauteren não sabe que um jogo tem três substituições.
O único momento de prazer e orgulho que tive foi ver o ambiente alguns minutos antes do apito inicial. Na pior época desde 1906, o reino do Leão recebeu mais de 35 mil adeptos. Um ambiente arrepiante e que acaba por contrastar com um momento devastador. Lia-se numa das bancadas de Alvalade: “Dos fracos não reza a História”.

Este presidente, este treinador e boa parte do plantel do Sporting estarão todos associados ao fracasso, mas os adeptos continuam a ser o grande património do clube. Mesmo depois da era Roquette quase ter conseguido acabar com o Sporting, depois da presidência do senhor F. Soares Franco – e a sua turma de notáveis, que vivia grandes férias a tirar fotos em tronco nu em Copacabana, regados de muita água de côco -,  depois de o vendedor de maçãs e os seus negócios a la Costinha, e depois de, por fim, aparecer este senhor para ferir de morte o nosso clube, o que eu consigo retirar disto tudo é que, depois destas pessoas nos conduzirem à forca, o Sporting nunca vai morrer.

Os adeptos do Sporting são guerreiros, são adeptos que travam batalhas, que conquistam territórios, que lutam de corpo e alma, mas também de coração. Mesmo os mais resignados, os que não se querem “chatear mais com isto”, os que têm vergonha do momento, se o Sporting jogasse nos distritais e com amor à camisola, os adeptos, este fortes guerreiros que dão a cara e tentam dignificar o clube, estariam lá para apoiar. Mas para tudo na vida há limites.

Estamos todos cansados. Estes fortes guerreiros que lutam ao sol, á chuva e ao frio começam a ficar cansados de tanto lutar para encontrar um ideal que já não existe. Na lama, à noite, de dia e com fome, torna-se difícil combater numa batalha que parece não ter fim à vista.

Os guerreiros não precisam só de força, precisam também de sentir a energia de quem os representa. Em mais uma batalha de Lisboa, mesmo com o entusiasmo criado no reino do Leão, os guerreiros conseguem perceber, que a capacidade e a força de quem os representa não são suficentes para vencer.
Não participei na batalha de ontem, não porque não quisesse lutar, mas sim porque quem representa este clube de adeptos guerreiros, não merece o meu contributo. Eu não volto a ir combater para defender o clube do Godinho, do Tio Richarddi, do Elias, do Prajnic, do R.O.C ou deste Conselho Leonino….

Não desisti nem sou menos Sportinguista apenas cheguei ao meu limite. Já fui um guerreiro que lutou à chuva, que foi para a guerra sem armas, a rir, a chorar, a saltar, a vibrar, a viver mas ontem foi o meu limite.

Assistir a um derby sem qualquer tipo de emoção, sem festejar um golo porque o meu sub consciente me dizia que não dava para acreditar na vitoria, percebi que alguma coisa estava mal. Assistir a um jogo do Sporting apático, sem nervosismo, sem o mundo parar não faz sentido para mim.
Nunca vou abandonar o nosso clube mas não vou para a guerra com este. Não será uma prioridade na minha vida, nem tomara conta dos meus sentimentos. Também sou um guerreiro mas do Sporting Clube de Portugal não desta vergonha que se trava no reino do leão.