podt

O problema és tu, não sou eu.

por 27 de Dezembro de 2012Os textos do Damas0 Comentários

Lembro-me como se fosse hoje. O som do rádio, os gritos de alegria, as diferentes camisolas e as fotografias que serviam de recordação. As capas de jornais que faziam de nós uma poderosa nação, as mesmas que serviram para decorar paredes e tectos. As viagens com os cachecóis no vidro do carro a simbolizar o amor e a alegria de ir ter contigo. Lembro-me tão bem. Lembro-me como se fosse hoje.

Quando me apaixonei por ti, era inocente. Tinha tempo, tinha – como diz a musica – ” todo o tempo do mundo”. Os bolos de aniversários com a tua cara, as diferentes camisolas, para poder sentir na pele o que tu eras, o fascínio que tinha em imaginar-te no relvado a celebrar golos inesquecíveis.  Tinha tempo para fazer recortes e colá-los no caderno da escola, tinha tempo para fazer tudo aquilo que por ti sentia.

Veio a escola secundária, a faculdade, o trabalho. Apareceram as miúdas, as viagens e as noitadas. O tempo trouxe maiores responsabilidades, trouxe também mais problemas e desilusões,tal como trouxe e levou amigos, mas, para ti, houve sempre tempo. Quem nos conhece sabe que nos 90 minutos em que olho para ti, não atendo telefones, nem desvio um minuto da minha atenção. Quem nos conhece sabe que o assunto só pode ser sobre nós, porque de outra maneira não estou interessado. Quem nos conhece sabe que somos como unha e carne.   


Por ti, por nós, fiz viagens. Chuva ou sol, frio ou calor, fazia-me à estrada. Rumava a nossa casa. Não foi uma vez, nem dez, foram centenas. Poupava dinheiro para fazer viagens – muitas vezes sozinho – e sentia sempre a mesma sensação. Como se fosse a primeira vez, disposto a abdicar do meu tempo, dos meus amigos e da minha família, para voltar ao lugar mágico de Alvalade. Para voltar ao lugar que tanto tempo nos uniu e nos fez lutar por um caminho melhor. 

Fiz o meu melhor, o que pude, por mim e por nós. Fiz o melhor por esta paixão inexplicável e fiz, no fundo, o que sabia.

Escrevo-te agora porque quero que saibas que estou cansado, magoado até. Cansado de tanto dar e nada receber, cansado das tuas exigências, cansado do tempo em que sou obrigado a fazer sempre mais. Pedes-me mais devoção, mais provas de paixão, mais paciência, mais calma. Então e tu, o que me dás?

Não jogas, nem corres. Não marcas e muito menos me respeitas. Ok, agora dizes-me outra vez que desta é de vez, dizes-me mais uma vez para acreditar em ti. Dizes-me isso porque sabes bem que sou incapaz de te dizer que não, mas isso não é um problema teu, esse é meu. É um problema porque continuo a apaixonado por ti – eu sei – e porque tu me fazes sentir que às vezes a paixão magoa.

Acredito que não te tenhas apercebido que ultimamente sou o único de nós dois a remar contra a maré. Sou o único que continua a alimentar esta paixão, que continua a dar apoio e força nos teus problemas, sou o único a lutar por nós, enquanto tu, me tens desprezado – a mim e à nossa história tão grande e intensa. De uma forma fugaz, trazes-me uma alegria, e eu, de coração mole, deixo-me embalar. Deixo que a pulsação do meu coração acelere a um ritmo frenético, sem pensar que amanhã vais magoá-lo com o impacto das tuas atitudes. 

Não deixei de estar apaixonado por ti, mas afastei-me. Custa-me mais isto do que te ver com o Rio Ave ou com o Videoton. Custa-me mais pensar em olhar-te com indiferença do que te ver com o Genk e o Moreirense. Apetece-me fazer rewind, voltar atrás no tempo, e relembrar que o Sporting por quem eu me apaixonei continua vivo, intenso e para durar uma vida. Apetece-me voltar atrás e relembrar que andávamos de mãos dadas a construir uma história. Mas, o problema pelos vistos não sou eu, és tu.

Agora volto em 2013. Até lá, vou-te dar tempo para pensares, para reflectires e para me responderes, se realmente vale a pena lutar por nós. Desejo-te o melhor do mundo e tu sabes. Para o ano estamos aqui, e desejo que mais fortes e apaixonados do que nunca. 

Sporting Sempre.