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O circo Sporting e o seu palhaço

por 13 de Dezembro de 2012Os textos do Damas0 Comentários

Nota prévia: este post terá uma conotação positiva para todos os artistas, menos para o trabalho do palhaço. A designação de “palhaço” não é para ser interpretada de uma forma ofensiva.

De Lisboa, Londres, Paris, Tóquio e do resto do mundo, muitos foram – e são – aqueles que se deslocaram para assistir a uma performance de um circo com mais de 100 anos. Palco de grandes espectáculos, muitos foram os artistas que representaram este circo e que o catapultaram para as bocas do mundo.

Um circo é, por assim dizer, uma companhia que reúne artistas de variados tipos e especialidades. Neste circo do Sporting, existiram grandes malabaristas, grandes acrobatas, muitos ilusionistas, equilibristas e um palhaço. Alvalade já foi palco de grandes actos coreografados, de músicas bonitas e sentimentos profundos. O rectângulo verde, com assentos em volta, viveu noites de sonho, noites em que o Leão saltava por entre um anel de fogo e deixava os espectadores em êxtase com tamanha classe e bravura. Noites que ficarão gravadas na memória dos mais novos e também dos mais velhos.

Este Circo já contou com Artistas como: Vítor Damas, Venâncio, Marco Aurélio, Yazalde, Rui Jorge, Oceano, Balakov, Sá Pinto, Iordanov, Liédson, Jardel, Acosta, Nani, Pedro Barbosa, Peyroteo, Manuel Fernandes, Travassos, Schmeichel, Duscher, Luis Figo, Cristiano Ronaldo, André Cruz, entre muitos outros, mas este circo perdeu o entusiasmo e o brilho que faziam dele um dos mais belos do mundo.


Sem verdade e transparência nos processos, o palhaço começou a tomar conta do circo e os artistas, uns por culpa própria, outros cabisbaixos, foram perdendo a motivação, a paixão e o amor pela profissão. 


Na última temporada, ainda que de forma fugaz, o circo do Sporting viveu grandes espectáculos: com as acrobacias do Xandão - no número frente ao Manchester City -; com os truques de corda e trapézio de Capel, em Bilbau; com o equilibrismo de Elias, que sozinho fez desaparecer onze elementos vestidos de vermelho; com o contorcionismo de Ricky, nas alturas ucranianas; e com o ilusionismo e improviso de Matias Fernandez, em todos os seus números. No ano passado, Insúa tinha números que impressionavam qualquer um, Andre Carrillo, no seu jeito freestyle, tinha truques em que deixava os mais novos - e os de idade - deliciados, Rinaudo mostrava quem tinha as bolas e Rui Patrício, igual a si próprio, demonstrava, mesmo em números perigosos, que o equilíbrio e a elasticidade eram os seus dotes.

Da época passada, os artistas são quase os mesmos, mas, quando chega a hora do palhaço e este tem de actuar, estraga todo o esforço, toda a dedicação e toda a devoção dos artistas que ao longe de um história centenária levaram o Sporting Clube de Portugal à glória.

O palhaço deste circo Sporting - todos sabem quem é - é o artista que, em espectáculos circenses ou em outros, se veste de maneira grotesca e faz gracejos combinados com malabarismos, de forma a divertir o público. Vinculado imediatamente aos circos "dos terrenos" e das "gestões danosas", o palhaço pode actuar também em espectáculos abertos, de forma teatral, e em programas de televisão. É, pois, a personagem que tem a tarefa - agora em regime presidencialista - de entreter o público durante e entre as apresentações, especialmente nos últimos espectáculos do novo circo que montou. Veste-se geralmente de um jeito engraçado, com trajes desproporcionados e multicoloridos, e adapta agora uma maneira de falar através de "video-mensagem", com mais um dos seus números de trafulha malabarista.

Nota final: segundo consta, neste ultimo espectáculo, parece que os palhaços e os macacos tiveram tratamento V.I.P em Alvalade, enquanto os artistas actuavam sem coragem, sem categoria e sem calibre.


Ass: Sporting Sempre.