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Cuspidelas

por 31 de Dezembro de 2012À saída do estádio0 Comentários

Sem grande espírito para relembrar a época e fazer balanços do ano desportivo, resta dizer que a mudança para 2013 não pode ser apenas um salto no calendário. O novo ano tem de trazer uma verdadeira mudança. 


Vercauteren já disse que «é preciso começar do zero». Em Janeiro, com ou sem dinheiro, com ou sem fundos de jogadores, pode não ser preciso começar do zero, mas o plantel principal não pode permanecer como está. Até porque, depois da pausa de Natal – que o belga disse ter sido «boa para limpar a cabeça» -, o que ficou foi a certeza de que não se tratou de uma limpeza. As férias aspiraram mesmo qualquer ideia de jogo de uma equipa que tinha 90 minutos para fazer alguma coisa na única competição em que ainda seria possível obter alguma espécie de Prémio de Consolação. 
Frente ao Rio Ave, ainda que marcada por um erro de arbitragem flagrante e castrador, a equipa tinha a obrigação de ser mais competitiva e, ainda que com uma bola ao poste, o número dos remates ficou muito aquém do que se exige a uma equipa que se quer favorita.
De qualquer forma, apesar do resultado, a exibição em Vila do Conde nem sequer foi das piores a que a equipa já nos habituou, e é tanto causa como consequência do “estado das coisas.”
Em Vila do Conde, começaram/continuaram também algumas remodelações: Ricardo Esgaio voltou a ser titular, Boulahrouz deixou de ser opção, Izmailov parece cada vez mais longe da realidade e Elias, que se tem mostrado muito activo no que diz respeito a comentários pré-Mercado de Inverno, deve mesmo estar de saída. O médio brasileiro diz que está «infeliz» no clube e que quer sair para «ganhar títulos»; e a maioria dos adeptos tende a concordar com Elias. 
Tal como Elias está infeliz, também os adeptos não têm quaisquer razões para estar satisfeitos com as exibições do antigo jogador da selecção brasileira. Tal como Elias quer ganhar títulos, também os adeptos querem vencer troféus. E, Elias é um dos símbolos do problema, já que valor e rendimento nunca estiveram alinhados. Assim sendo, a solução parece-nos óbvia: Elias terá de ser um dos sacrificados durante a pequena revolução que pretende devolver à equipa a ambição de vencer. 
É urgente encontrar jogadores que, no mínimo, saibam dignificar a camisola do clube. Sobre isso, até eu estou confiante de que a equipa técnica esteja alerta. Duvido é que venha a acontecer num futuro próximo. Eu próprio gostaria que, ao vender 6 ou 7 jogadores, isso permitisse que outros tantos subissem da equipa B e que o plantel principal pudesse até ser reforçado com, pelo menos, um jogador de qualidade acima da média. Mas, nem a equipa B é certeza de qualidade indiscutível, nem a direcção parece ter qualquer ideia de como fazer chegar jogadores de valor superior ao dos que lá se encontram. Provavelmente, nem mesmo de valor superior ao de alguns jogadores emprestados que continuam a ser parte da folha de salários.
É neste ponto que pode assentar uma das primeiras e mais visíveis acções de Jesualdo Ferreira, ao apresentar opções baratas e bem fundamentadas para acrescentar qualidade ao plantel – que ainda é de Franky Vercauteren. Mas, até nisso, mesmo com os muitos anos de experiência, é difícil de acreditar.
Rio Ave 3-0 Sporting. 29 Dez 2012. Foto: zerozero.pt
Por último, uma cuspidela. Não se cospe na cara de – ou para – um adversário, ainda que isso seja um gesto de indignação contra uma direcção que, cada vez mais, parece colada com cuspo e que passa a vida a mandar cuspidelas para o ar.
Mesmo assim, o cuspo parece ter vindo para ficar. Ao contrário do que era aguardado, este Natal, a demissão de Godinho Lopes não chegou ao sapatinho de nenhum sportinguista. Por outro lado, o receio que cada um tem de que o clube fique à deriva e entregue a uma auto-gestão deixa no ar a ideia de que o actual presidente é, afinal, mesmo para ficar.