Round 2. Fight!

por 23 de Novembro de 2012À saída do estádio0 Comentários

Mais um Knockout…

Ontem foi mais um murro no coração. Depois de um gancho ao estilo de Muhammad Ali, o Sporting caiu desamparado no tapete. No adeus à Liga Europa, num grupo teoricamente acessível, o Sporting não foi capaz de se impor. Depois de uma de esquerda, bem assente nos queixos no ringue da Hungria, esta equipa voltou a ser vergada na Suíça. Desta vez, com uma direita por parte do Basileia, a equipa verde e branca – mesmo em superioridade numérica – podia ter ido ao tapete por mais duas ou três vez neste round.

O Sporting está há sete meses sem ganhar fora e ontem carimbou a sua passagem para fora da Liga Europa. Ontem, o Sporting assegurou o titulo de “pior início de época de sempre” nos 106 anos de história do clube.

Não vou voltar a bater no Ceguinho, perdão, no Godinho. Não vou voltar a bater nestes rapazes que usam uma camisola do Sporting, mas que não representam o nosso clube. Não vou começar a bater no treinador só porque mete em combate os “pesos pluma” Gelson e Pranjic, em detrimento dos “pesos pesados” Rinaudo e Carrillo. Não vou, porque o que me preocupa é muito mais grave do que isso. O que me preocupa é o que pode matar este clube.

“O património do Sporting são os adeptos!”. É neste tema que vejo as maiores preocupações, sobre os adeptos do nosso clube.

Por vezes, o meu coração e a minha paixão descontrolada pelo meu querido Sporting transmite-me esperança. Sinto que somos o melhor clube do mundo e que, mesmo quando não ganhamos – porque no meu lado irracional o Sporting nunca perde -, sinto que devo apoiar, que devo continuar a lutar ao lado dos rapazes e, talvez por isso, o único jogo que não assisti in loco em Alvalade, foi contra o Genk.

Mas, felizmente, o meu lado racional permite-me ter discernimento e saber que a razão não ultrapassa o coração.
Utilizando o meu lado racional, o Sporting, para além das questões financeiras, corre sérios e graves riscos que, a curto prazo, podem trazer uma terrível realidade e um futuro sombrio. Um elemento deste blog, numa das muitas conversas, disse-me que a resignação é dos piores sentimentos que podemos nutrir pelo clube. Eu concordo, mas, é neste momento o sentimento entranhado nos adeptos do Sporting.

Os adeptos estão a afastar-se do clube. Os sócios estão a desistir de pagar as quotas, os adeptos não vibram com as escassas vitórias porque sabem que, no próximo jogo, podem levar mais um Jab na boca, e raros são os que gostam de ser massacrados. Hoje, poucas são as criticas. Hoje, quando se perde, nota-se a resignação e o baixar dos braços. Muitos dos adeptos já atiraram a toalha para o tapete.

A tristeza que mora em Alvalade é tão grande, que os próprios adeptos ridicularizam a situação do clube.

Os adeptos dos outros clubes desferem-nos Hooks sem piedade. Já não entram em picardias, pois, segundo os próprios, “já não tem piada gozar com o Sporting”. Nos tempos que correm, os adeptos do Sporting não deixam de trabalhar para ir assistir ao jogo e já não se juntam para ver o clube. Nos tempos que correm, o Sporting é um tema a evitar numa conversa de dia-a-dia. Hoje, o Sporting não junta pais e filhos para ir ao estádio, bem como não junta avós e netos para os primeiros transmitirem os valores deste nosso nobre clube. E, sem os adeptos, o que será deste pobre Sporting?

Compreendo a revolta e o desespero de muitos adeptos. O Sporting deve-nos muito. É por este clube que não dormimos como deve ser, é por este clube que por vezes respondemos mal a quem nos é mais próximo. São os adeptos os únicos que tentam dar choques eléctricos a este Sporting inanimado. Este Sporting de Godinho está farto de surrar nos adeptos e deixá-los K.O.

Neste momento, é perceptível que o Sporting entra em qualquer ringue e, mal começa o round, fica logo encostado às cordas. Se os adeptos do Sporting deixarem de viver com os combates do clube, o nosso destino será o mesmo que o de Mike Tyson… ser obrigado a abandonar os ringues.