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Problemas centrais

por 27 de Novembro de 2012À saída do estádio0 Comentários

O primeiro terço do campeonato já lá vai e, aquilo que de início se denominou de pesadelo, é, afinal, a dura realidade. Mais um empate, mais um jogo sem qualidade, mais uma hipótese falhada de aproximação aos lugares de acesso à Liga dos Campeões, menos 2 pontos, menos opções válidas para o onze inicial, menos ânimo, menos cânticos e pouca ou nenhuma paciência. Em suma, à excepção de dois golos, tudo foi mau. 

Moreirense-Sporting, 26 Nov 2012. Foto:Estela Silva/Lusa
Esta terça-feira, no pós-jogo, os principais diários desportivos falavam de um ou dois minutos que teriam feito a diferença. No essencial, é desta forma que temos assistido aos últimos tempos do Sporting. Por um minuto se mata e por um minuto se morre. Em Moreira de Cónegos, na primeira parte, pouco menos de 5 minutos chegaram para colocar em xeque toda uma semana de trabalho. No mesmo jogo – mas na segunda parte –, sensivelmente o mesmo período de tempo teria sido suficiente para que o Sporting, mesmo realizando um jogo fraco, tivesse saído do Comendador Joaquim de Almeida Freitas com outro resultado. Feitas as contas aos poucos minutos de futebol, o sentimento é o de que, mesmo com um futebol fraco, sem ponta de inspiração e sem fazer por merecê-lo, os onze escolhidos por Vercauteren podiam mesmo ter terminado na frente. Mas isso, claramente, não chega.


No que diz respeito às notas individuais, a zona central voltou a revelar-se um problema. Xandão e Marcos Rojo continuam a milhas do que lhes é exigido e, recuando alguns meses atrás, não fazem esquecer, por exemplo, a dupla constituída por Anderson Polga e Oguchi Onyewu. Dois golos consentidos da mesma forma e em tão curto espaço de tempo – para além do historial de erros nos últimos jogos – espelham as dificuldades do centro da defesa. Dois momentos de apatia generalizada que culminaram em dois golos simples.

No meio-campo, a confusão continua instalada. Depois do pesadelo Adrien e da ineficácia de Labyad, assiste-se agora ao pesadelo Pranjic. Dois jogos sem qualquer rasgo individual e sem qualquer discernimento na organização ofensiva levam a crer que a posição 10 vai continuar chorar a saída de Matias Fernandez. Uma decisão que, volto a repetir, se torna cada vez mais difícil de entender, quer no plano desportivo, quer no plano dos benefícios de gestão financeira. Quanto a Schaars  que não foi aposta de Sá Pinto –, pouco ou nada tem deixado para registo futuro e, quando comparado com o holandês que pautava o jogo na época passada, nem parece o mesmo jogador de quem se diziam maravilhas. 


Mas, se repararmos bem, os casos estranhos avolumam-se e, neste momento, não é difícil enumerar quase todos os jogadores do plantel principal. Elias é mais um destes exemplos, ou seja, de como, em meia dúzia de meses, passar de convocado da selecção de Mano Menezes a um médio completamente vulgar e sem qualquer tipo de ambição. O brasileiro é mesmo uma das imagens de marca desta equipa: contratação sonante, ordenado chorudo e rendimento igual a zero.

Em Moreira de Cónegos, à imagem do que já sucedeu noutros palcos, Rinaudo – que parece continuar a não merecer a confiança de Vercauteren – voltou a ser dos mais esclarecidos. Dentro do desastre, foi dos poucos que conseguiu fazer a equipa subir alguns metros no terreno, afiar as garras e, ainda que de forma por vezes atabalhoada, encarar o adversário com as verdadeiras ganas de quem quer mudar alguma coisa. E, se este Rinaudo não é titular no Sporting de hoje, à excepção de Rui Patrício, quem mais o será? 


Detalhes e pormenores à parte, para a história fica o empate frente ao último classificado, que deixa o Sporting em 8.º lugar. Em dez jogos, a equipa fez apenas 11 pontos, e, pouco mais de um ponto e menos de um golo por cada jogo realizado na Primeira Liga, é algo de muito significativo para um clube desta dimensão. 
Equipa, direcção e adeptos vivem agora num momento ímpar na história do clube e, para quem procura uma solução imediata, as semanas e os jogos sucedem-se a uma velocidade quase alucinante. Ainda assim, dentro desta trituradora de esperanças chamada Sporting Clube de Portugal, é preciso parar dois minutos para pensar no seguinte: no final de mais um jogo perdido e de mais algumas facadas no espírito leonino, um dos jogadores do plantel principal resolve afirmar que a equipa está no caminho certo. Se este é o caminho certo, espero que, no minuto seguinte, o presidente Godinho Lopes tenha questionado esse jogador sobre que caminho é este que estamos a percorrer. É que, caso estejam de acordo sobre essa caminhada, parece que ela não vai ter mesmo um fim.

Ass: O Sporting somos nós.