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Para todos os “Litos” desta vida

por 8 de Novembro de 2012O Sporting lá fora0 Comentários

Isto começou muito cedo.

O meu pai diz orgulhosamente: ” Tu, quando nasceste, já eras do Sporting, mas passado 3 dias de vida eras sócio!”
Penso que seja difícil crescer Sportinguista, com um pai de outro clube – é de grande valor quem o consiga – mas eu felizmente tenho um que ama o Sporting. O meu pai, o Rui, está quase a atingir os 60. Já não é de euforias, já não se enerva e, por vezes, apresenta um discurso amargo, mas eu ainda consigo ver o brilho nos olhos dele quando o assunto é Sporting.  

Na casa onde eu cresci, tudo é Sporting. O pai, a mãe, a irmã e até a gata. Na minha infância, eu estava longe de saber o que era “ser Sporting”, mas não me vendia por um pastel de nata, não admitia que falassem mal do Sporting e a miúda de quem eu gostasse tinha de ser Leoa. Claro que tudo isto começou por influência do meu pai.

O meu pai, o Rui, foi-me alimentando, foi-me conquistando, e eu, facilmente, deixei-me levar por um amor que ainda hoje continua a crescer sem barreiras nem limites. Lembro-me da minha camisola do Sporting, da “Faxe“, da minha camisola de guarda-redes com o símbolo do Sporting no coração, da minha camisola do “Queijo Castelões” com o número 11, e o nome Amunike nas costas. A mesma que, quando os miúdos na escola me perguntavam se era verdadeira, eu orgulhosamente dizia: ” Claro, olha aqui o leão”. Um leão que aparecia estampado, em tom prateado, nas camisolas oficiais dessa altura. Lembro-me de ter crescido a coleccionar todos os cachecóis, posters, cadernetas, carteiras, porta-chaves, e tudo o que tivesse o nome e o símbolo do Sporting.

Lembro-me perfeitamente que, até aos meus 12 anos de idade, os meus presentes e bolos de aniversário foram sempre muito idênticos. Os presentes passavam por equipamentos do Sporting e os bolos, ou eram o símbolo do Sporting ou um campo de futebol, com jogadores equipados de verde e branco. Era simples, mas o meu pai sabia que era o que me deixava feliz.

Foi com ele que fui a primeira vez ao velhinho Alvalade. Lembro-me de sentir o mesmo “frio na barriga” que ainda hoje sinto, de todas as vezes que me sento no meu teatro dos sonhos. O meu pai fez o melhor que sabia para eu ser um adepto do Sporting, e fê-lo bem.
Já o ouvi dizer: ” O legado ficou bem entregue!”. Eu também sei que sim. O que ele não sabia, nem eu, é que “isto” não se trataria apenas de gostar de um clube, de apoiar uma equipa ou de ser apenas simpatizante. O Sporting, com o passar dos meus anos, foi-se tornando muito mais do que isso. O Sporting, faz hoje parte da minha vida, e eu sem ele não sei viver.


Mesmo hoje, com o pior início de 106 anos de história – com o Sporting, no início de Novembro, já eliminado da Taça de Portugal, a 13 pontos do primeiro lugar e em muitos maus lençóis na Liga Europa -, eu nunca conseguiria – nem sequer alguma vez tentei – meter em causa o meu “Ser Sporting” e todos os valores que cresceram comigo associados a este meu grande amor.

Respondendo ainda ao filho do Litos e ao Litos: no Sporting não se desiste. Nós, os adeptos do Sporting, somos de uma fibra mais forte. Nós não representamos uma equipa, um treinador ou uma direcção, nós apoiamos o Sporting Clube de Portugal. Não nos encolhemos quando não ganhamos, não nos escondemos quando nos tentam humilhar, não nos envergonhamos quando as coisas não estão bem. Mas, tentar explicar o que é ser Sporting, aos filhos dos Litos desta vida, é uma tarefa quase impossível.

Ser do Sporting é um modo de vida. Ser do Sporting é especial. Não é melhor, nem é pior, é ser-se diferente. Ser do Sporting não é para todos. O Sporting é uma mistura de arte, guerra, paixão, angústia, desespero, êxtase, felicidade e muito amor. Ser do Sporting, como se costuma dizer, não se explica, sente-se!

O sportinguismo é uma das maiores dádivas que temos, e eu – agora é para ti Litos – devo-o ao meu pai.
Ser do Sporting é tudo isto, multiplicado por infinito.

Força Sporting e, hoje, vence por todos nós! Sporting Sempre.