Patricio

O Sporting, o Bragão, o Braguinha e o Braga

por 12 de Novembro de 2012À saída do estádio0 Comentários

Ao contrário do que normalmente acontece, ontem, Godinho Lopes afiou as garras e mostrou a cara do Leão. Numa jogada de mestria – duvido que a ideia tenha sido do próprio – convidou o presidente do Braga a visitar o museu do Sporting Clube de Portugal. Mostrou a António Salvador como é a historia de um clube grande, mostrou o que é preciso conquistar para ser uma potência do futebol nacional. Ontem, o presidente do Braga ficou atrapalhado e, na segunda volta do campeonato, António Salvador não terá coragem de convidar Godinho Lopes a visitar a arrecadação no Estádio Axa.
O que lhe vai mostrar? Meia dúzia de medalhas e taças de participações em torneios lá da terra?
O jogo ainda não tinha começado, mas o Sporting já estava por cima.

Dentro das quatro linhas, nos primeiros 45 minutos o Sporting abafou o Bragão. Uma primeira parte de muito bom nível, com bons movimentos, com garra, alguma velocidade e uma boa atitude. Ao intervalo, o sentimento que pairava no ar era de injustiça. O Sporting podia ter descido para os balneários num posição muito mais confortável. Ricky (29m) e Elias (37m) tiveram nos pés a oportunidade para tranquilizar os 25 mil adeptos de ontem.
Na primeira parte, o golo cedo, a solidez e a união transportaram o Sporting para uma boa exibição e, por momentos, fizeram do Bragão um Braguinha.


Na segunda parte, o Sporting começa da mesma maneira que havia terminado a primeira. Capel tem tudo para fazer o golo (61m) e matar o jogo. Beto defende e o Sporting continua com uma vantagem pela margem mínima. Depois começam a aparecer os primeiros fantasmas de um passado recente. O Sporting recua, o Braga melhora um pouco, mas na baliza do Sporting está um homem de quem vos falarei mais abaixo.


Os 5 minutos de descontos, concebidos pelo árbitro - se o Sporting estivesse em desvantagem eram 2 -, foram momentos de sofrimento,  momentos de aperto, mas que acabaram em abraços e sorrisos, com o Sporting, o de Portugal, a vencer.

Eric Dier foi uma agradável surpresa. O miúdo inglês teve uma grande estreia e fez uma grande assistência para o golo de Ricky - espero que me faças engolir todas as palavras. O resto da defesa também esteve bem. E, se um barrete verde na cabeça faz com que Xandão jogue assim, então que nunca o tire. Rojo esteve melhor e Insúa, com o tempo, irá voltar ao que nos habituou.

O meio-campo também funcionou bem, até meio da segunda parte. Schaars e Elias estiveram em cima de Hugo Viana e Rúben Micael, dando liberdade a um tal de Djamal para sair a jogar. Mas ele não sabe o que é isso.

No ataque, Capel jogou bem, Carrillo, teve momentos em que se afastou do jogo e foi notório que ainda não tem pernas para 70 minutos. Ricky fez um bom golo, o seu oitavo. O golo da vitória e que pode reerguer o Sporting.

Este era um jogo em que era obrigatório ganhar. Obrigatório pela nossa posição, obrigatório para o nosso objectivo, obrigatório porque o Bragão tem a mania que se pode comparar a nós. Obrigatório porque o Braga levava 10 pontos de vantagem sobre nós e obrigatório porque os adeptos e o presidente do Braguinha pensavam que vinham a Alvalade conquistar os 3 pontos.

O Braga não esteve longe de poder pontuar em Alvalade, mas todos em Braga e do Braga estavam longe de imaginar que em Alvalade mora um dos melhores guarda-redes da Europa.
Rui Patrício é sinonimo de pontos. Rui Patrício é a nossa benção para todos os males. O jovem dos Marrazes, titular do Sporting e de Portugal, afastou de Alvalade os fantasmas e papões. Enxotou o diabo que se escondia atrás de uma porta e que teimava em assombrar o Sporting. Rui Patrício, ontem, em cima do minuto noventa, numa fórmula mágica, resolve abrir as asas, voar e trazer o Sporting de volta ao combate.

Sporting Sempre.

Nota: Depois de mudar o lugar na bancada, depois de levar camisolas e cachecóis diferentes para o estádio, depois de entrar no estádio a horas diferentes, depois de mudar os meus hábitos, depois de tanto mudar e tentar, encontrei a fórmula para o Sporting ganhar. Levei o Rui ao estádio. Com um Rui enorme na baliza e outro ainda maior na bancada, o resultado só podia ser este.