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O “pequeno príncipe” de Alvalade

por 14 de Novembro de 2012Os textos do Damas0 Comentários

3 jogos: uma derrota, um empate e uma vitória.

Franky Vercauteren estreou-se a vencer pelo Sporting. 48 dias depois voltámos às vitórias. No domingo, frente ao Braga, o Sporting e os Adeptos receberam o balão de oxigénio que era necessário. Depois do post sobre a equipa, é agora tempo de falar sobre o treinador.

Apelidado de “pequeno príncipe”, Franky Vercauteren tem pela frente a espinhosa missão de recolocar a equipa de futebol profissional no caminho das vitórias. Com 56 anos, e um historial recheado de triunfos, sobretudo enquanto jogador, o belga, que substituiu Ricardo Sá Pinto, apanhou uma equipa partida, fisicamente debilitada e psicologicamente abatida.

Com contrato até final da época, tem como tarefa reavivar a equipa e, como desafio, conquistar um lugar que dê acesso à Liga dos Campeões.

Em Setúbal, foi difícil avaliar o trabalho. Com o Genk, em casa, foi notória uma melhoria na organização da equipa e, a espaços – sobretudo pelas correrias de Capel -, a equipa criou alguma dinâmica de jogo. Frente ao Braga, foi notório o “dedo” do treinador na equipa. O Sporting foi coeso, as dinâmicas apareceram e, por momentos, o Sporting jogou a bom nível, em particular na primeira parte.

Franky Vercauteren rapidamente se apercebeu que, com uma defesa subida, o Sporting é muitas vezes batido em velocidade. No último jogo, optou por baixar o bloco. O 4-2-3-1 em que a equipa se apresentou no último jogo mostra que, apesar de estar há pouco tempo em Portugal, o nosso treinador tem estado a trabalhar. A inclusão de Pranjic – para encostar em Hugo Viana – e de Schaars, juntamente com Elias, de olho no número 14 do Braga, retirou à equipa arsenalista a criatividade e a objectividade com que joga a meio campo.

A anarquia e o caos em que o Sporting se apresentava em campo foram modificados. O Sporting, especialmente na primeira parte, jogou de uma forma organizada, teve sentido colectivo e jogou como um bloco. Os jogadores apresentaram-se com vontade e determinação. Mesmo sendo evidentes os problemas físicos, houve em alguns jogadores mais entrega, mais agressividade e mais impetuosidade nos lances disputados. Fico com a ideia de que isto resulta do trabalho do nosso treinador.

O Sporting está longe de estar no máximo das suas capacidades, como é lógico, e Franky Vercauteren terá muito mais para trabalhar e desenvolver, particularmente no capitulo da finalização, onde foi por demais evidente que o treinador tem muito trabalho pela frente.


Fora do campo, Franky tem sido uma agradável surpresa. Apresenta um discurso racional e ponderado, sabe das limitações, mas também sabe das capacidades. Explica o que pretende e o que quer para o futuro, sempre num estilo tranquilo e sem falsas modéstias. Sabemos que vai apostar na prata da casa, e isso, para além de ser um sinal de esperança, é também sinal de que Franky irá tentar tirar partido do melhor que o Sporting tem, que é a sua formação.

Não peço períodos imaculados, mas espero que Franky seja o homem que é preciso para guiar o Sporting para uma melhor fase. Franky Vercauteren terá mais dez dias para consolidar processos e ideias de jogo. Não terá a urgência de sempre, nem a pressão de jogar nos próximos dias – infelizmente, o calendário ficou mais alargado para os nossos lados -,  e, nessa altura, frente ao Basileia, estaremos aqui, n´As Redes do Damas, à espera de poder continuar a dar nota positiva ao trabalho do “pequeno príncipe”

Sporting Sempre.