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Euro(pa)

por 22 de Novembro de 2012Hoje é dia de Sporting, O Sporting lá fora0 Comentários

Desde o último jogo que, por momentos, os holofotes têm andado preocupados com outras caras, e que a atenção diária deixou de estar exclusivamente em Alvalade. Com a vitória frente ao Braga, adeptos, simpatizantes, adversários e, principalmente, a comunicação social, deram espaço para que Vercauteren e equipa pudessem respirar, trabalhar e, ainda que com tempo contado, moldar um estilo de jogo à imagem do novo treinador. 

Franky já disse que precisa de, pelo menos, dois meses para que o seu trabalho se comece a notar. De qualquer forma, e olhando para os jogos de um passado recente, quem não notou algumas melhorias a partir do jogo de Setúbal? Mesmo que os últimos três resultados não tenham revelado uma grande divergência com os anteriores, os últimos três jogos vieram provar que, no mínimo, a equipa precisava de um abanão. Uma das últimas novidades foi a inclusão dos treinos bidiários que, sou sincero, pensava que já estivessem em prática. Como é possível que, durante todos estes anos, em todas as épocas e com todos os treinadores, o treino não tivesse ocorrido duas vezes por dia? Até Elias pareceu surpreendido: «Agora treino é jogo e jogo é jogo. Se não treinarmos como jogámos não entramos em campo»
Ora, falando ainda do Braga, a vitória com os arsenalistas trouxe duas faces da mesma moeda: a esperança numa melhoria a curto-médio prazo e o facto de a equipa ainda ter muito de pedalar para conseguir lidar com esse futuro. Como o disse Vercauteren: «O futuro é muito duro». Ou seja, não bastou ao Sporting fazer boa figura há dez dias, em Alvalade. As próximas semanas – começando já hoje -, até ao final do ano, serão decisivas para perceber se ainda vamos a tempo de, pelo menos, manter uma certa ambição em algumas das competições. A vitória foi importante, mas não mais do que isso. E uma derrota em Basileia poderia esvaziar o pouco - que não foi assim tão pouco – que Franky já conseguiu construir. 


E porque é de Europa que falamos, espreitamos mais uma vez o que se passa lá fora. Para que ainda não teve a oportunidade de ler, chamo a atenção para dois textos: Sporting CP – On the Brink of Economic Disaster e Another Giant Falls As Reality Bites… São dois textos que demonstram que, mesmo lá fora, há alguma incredulidade a propósito de um momento difícil para o clube. 

Ler estes textos é uma dor de alma. Por um lado, as alterações dos últimos anos. Com a maior comercialização do futebol e a diversificação das “leis do jogo” e da concorrência, especialmente em ambiente de crise, algumas instituições podem mesmo ser levadas à ruína. Razões que levam a que, nos últimos tempos, o Sporting tenha encetado uma correria desenfreada por um investidor estrangeiro, quer seja em Angola, na China ou nos Estados Unidos. Por outro, a história de um dos maiores clubes da Europa que, sistematicamente, tem sido conduzido por caminhos tortuosos e que o tem colocado à mercê de políticas de desbaratamento financeiro, mas, acima de tudo, desportivo - sendo que o aproveitamento desportivo também o é, em parte, financeiro, com a valorização e venda de activos.
Stijn Schaars 2012. Foto de Catarina Morais. zerozero.pt
O jogo de hoje é, portanto, fundamental para cimentar a posição europeia do clube. Mais um pequeno passo que pode ser gigante, caso na próxima jornada se confirme a passagem do clube à próxima fase. Schaars diz acreditar em «milagres». Já para Gelson Fernandes, não há obra do divino, há apenas «trabalho». Com ou sem milagres, o que todos sabemos é que é impensável - ainda que provável - ficarmo-nos pela fase de grupos da Liga Europa. E, hoje em dia, no futebol ou fora dele, é a Europa que dita muito do que cá se passa em matéria financeira. 

«If something doesn’t happen soon, don’t be surprised to see the same thing that happened to Rangers in Scotland happening to Sporting in Portugal. A big name doesn’t give you immunity forever, especially with money as tight as it is these days».

Vamos acreditar.