Papagaios de Janela

por 1 de Outubro de 2012Os textos do Damas0 Comentários

Falar mal do Sporting é um hábito com o qual convivemos diariamente. Na televisão, essa prática é comum em todos os programas desportivos. Nuns estamos mais protegidos, noutros limitamo-nos a mudar de canal, porque o que é dito não tem a mínima coerência e, por vezes, porque quem tem por dever defender o Sporting, não sabe ou não tem capacidades para o fazer (R.O.C). Assim, de repente, o Otário do Braga, o Arrogante do Porto e o meia-leca da Sic, estes atingem e rebaixam o Sporting de uma maneira que, para além de longe de cordial, o é também longe dos padrões do fair-play. Mas, o que me custa é quando qualquer um destes tem razão. E este é o caso.

«Há uma bicefalia antiga na estrutura do Sporting, que decorre do facto de haver um conjunto de responsáveis, de profissionais do futebol, que não estão afectados ao clube, e portanto decorre daqui uma situação difícil em termos de liderança. Alguns sportinguistas não reconhecem a Godinho Lopes legitimidade como presidente do clube, depois de um ato eleitoral onde alguns acreditam que foi Bruno de Carvalho o vencedor.
Os sportinguistas não estavam com Godinho Lopes e continuam a não estar. Quanto a Ricardo Sá Pinto, é mais vítima do que responsável, considero que num “clube de conflitos”, como o Sporting, “é muito difícil” resistir. Tem sido assim com todos os treinadores».

As palavras são do meia-leca e são claras como a água. O Sporting continua a alimentar sanguessugas. O clube continua vítima dos que se alimentam através do nome Sporting. O Sporting continua vítima do projecto Roquette e do grande residente José Eduardo Bettencourt. Mais, a continuidade com Godinho Lopes segue de vento em popa, sem que ninguém no Sporting com poder se oponha. Isto sim, é mais preocupante do que tomar ou não a opção de despedir Sá Pinto.

Vejamos mais um exemplo do que estou a tentar transmitir: «As pessoas não podem fugir às responsabilidades, não posso pactuar com alguns silêncios. Luís Duque e Carlos Freitas são os grandes responsáveis pela constituição do plantel no ano passado quiseram abandonar a formação e os resultados desportivos foram maus».
Não é que não tenha sentido, porque tem, mas o problema prende-se com o facto de estas palavras serem de José Eduardo, conselheiro leonino.

Sendo o Conselho Leonino o órgão consultivo do Sporting Clube de Portugal, acho estranho e de mau gosto que estes comentários surjam em plena praça pública. As ideias têm de ser faladas dentro do clube e não através de recados enviados pela comunicação social. A instabilidade, a falta de liderança e de continuidade são os factores que continuarão a fazer com que o Sporting perca sempre, mesmo antes de entrar em campo.

Talvez seja fortemente contrariado, mas: «Se me agradam os resultados, não; se compreendo por que é que o Sporting empata e perde, não; se quero vencer todos os jogos, quero; se não acredito que o Sporting se pode tornar uma equipa que pode vencer todos os jogos, acredito. Agora, claramente temos de apoiar quem nos está a servir. É isso que quero e que a maior dos sportinguistas ainda quer. O futuro a Deus pertence e os resultados irão ditar várias coisas».  As palavras são de Bruno de Carvalho, o candidato que ganhou as últimas eleições frente a Godinho Lopes. Ao contrário dos papagaios de janela, pelo menos com este, a continuidade era interrompida abruptamente. 

Sporting Sempre.