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O que eu queria mesmo

por 17 de Outubro de 2012Os textos do Damas0 Comentários

Antes de falar do que interessa, que é o Sporting, uma ligeira nota sobre Portugal.
O jogo de terça-feira da Selecção foi só o colmatar da situação ingrata que atravessamos. Na política, todos sabemos o que se passa: aumento da carga fiscal, redução de rendimentos, cortes no sector público e no sector privado. No futebol, Portugal não faz mais do que empatar com a Irlanda do Norte. À imagem do Sporting, num jogo de fraca inspiração, a Selecção não se apresenta ao nível exigido, deixa passar 45 minutos e perde dois pontos por culpa própria. Não houve Cristiano, assim como não houve ninguém que se destacasse no jogo de terça-feira. Bem sei que os tempos não estão fáceis, e tudo parece estar contra nós, mas algum dia isto tem de mudar!

É o Maniche, o Augusto Inácio, o Fernando Seara, o Pedro Baltazar, o Carlos Xavier, o Costinha, o José Couceiro. São estes todos e mais alguns que, todos os dias, deixam os seus juízos de valor acerca do momento actual do Sporting. São as frases grafitadas nas paredes da capital, são as claques que batem nos adeptos, são os comunicados patéticos, os discursos incoerentes, é o treinador que não chega, é o passivo que não pára de aumentar, é tudo e mais alguma coisa contra o nosso clube.

Vai tudo de mal a pior e, para bater mesmo no fundo, o Sporting Clube de Portugal lança um comunicado em resposta ao que Fernando Seara disse no programa "Prolongamento". Deixou-me estupefacto a maneira - e volto a bater na mesma tecla - como esta Direcção lidera o clube. Não está em causa a defesa do Sporting, mas sim a maneira como o próprio a desenvolve: num estilo rudimentar e de baixo nível. Quem escreveu o texto pensou, certamente, que estaria a escrever para o Manuel da Taberna ou para o Zé da Tasca, num daqueles bate-papos futebolísticos já bem azedados, no final de uma noite bem bebida. Resume-se, simplesmente, a falta de etiqueta e profissionalismo. Escrever um comunicado em nome do Sporting Clube de Portugal não pode ser feito de maneira populista e acéfala. O Sporting - em particular a Direcção - volta, assim, a falhar.

E mais: o ofendido, aquele senhor dos 20 mil euros por mês, até quando é insultado, não aparece para se defender. Pior, em tanta asneira dita neste comunicado, não existe uma única frase que esclareça que toda aquela conversa de Fernando Seara seja mentira. Na minha opinião, até as capas dos três jornais desportivos que ilustravam a proximidade do despedimento de Sá Pinto foram orquestradas por este senhor.

Estes abutres que comandam e falam do Sporting, nada de bom vão trazer ou fazer pelo nosso clube. Cícero disse «O hábito de tudo tolerar pode ser a causa de muitos erros e de muitos perigos». Numa semana onde, mais uma vez à porta do Parlamento, se exigiu a demissão do actual governo, os Sportinguistas também deveriam protestar, condenar e não tolerar quem os está a levar ao fracasso. Passos Coelho é o nosso Godinho Lopes; Vítor Gaspar, o nosso Luís Duque e Miguel Macedo, o nosso Carlos Freitas.

É hora de falar do meu/nosso Sporting. Quero que venha o jogo da Taça e que o Sporting ganhe, que venha a Liga Europa e que o Sporting ganhe, que venha o jogo do campeonato com a Académica e que o Sporting ganhe. 

Com treinador x ou y, quero que o Insua volte a ser o melhor lateral esquerdo da Liga, quero que Rinaudo seja o patrão do meio campo, quero que Elias seja o nosso profeta, quero que Carrillo parta a loiça toda, quero que o Ricky faça muitos golos. O que eu quero, mesmo, é que nos devolvam o Sporting. Que nos devolvam o orgulho e o prazer de ser adepto deste grande clube. Quero mesmo voltar a sentir aquela paixão desenfreada pelo meu clube. O que eu quero, mesmo, é o nosso Sporting de volta. Quero mesmo e quero muito.