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Injustiças

por 29 de Outubro de 2012Hoje é dia de Sporting0 Comentários

Depois da derrota para a Liga Europa, Oceano considerou o resultado injusto. Antes, Jorge Casquilha, treinador do Moreirense, disse que tinha sido injusto para a sua equipa jogar o prolongamento; Marco Silva, técnico do Estoril, ficou insatisfeito com o resultado de 2-2 em Alvalade, que sublinhou ser injusto; Diego Capel, depois da vitória diante do Gil Vicente afirmou que o Sporting precisava do resultado, já que o futebol estava a ser injusto para com a equipa; Pedro Martins, no empate 1-1 na Madeira, definiu o empate com o Sporting como injusto; Sá Pinto, após o empate na Dinamarca frente ao Horsens e a derrota caseira com o Rio Ave falou de injustiça.

Nos últimos tempos, a definição de justiça tem sido aplicada de ânimo leve.
Agora, a concentração: «Estivemos bem no jogo e criámos mais oportunidades, mas infelizmente houve dois lances de desconcentração, que se pagam caro em alta competição». Nas declarações após o jogo, Oceano justificou as falhas com a falta de concentração. Pois bem, os jogos têm 90 minutos e haverá, porventura, momentos de desconcentração, mas esses dois momentos originaram dois golos e a falta de concentração, para os que viram o jogo, mais se assemelhou a falta de qualidade e/ou de profissionalismo. Daqui para a frente, e se ainda é possível fazer qualquer tipo de exigências, exige-se então, que, no mínimo, os jogadores mantenham a concentração durante o jogo e sejam profissionais.
Sporting 2-1 Académica; 12 Abr 2012
Hoje, frente à Académica, a estrutura técnica já sublinhou que terá de ser a equipa a puxar pelos adeptos. Errado. Nunca – e arrisco dizer, em toda a história – uma equipa do Sporting começou um jogo a ter de o fazer. Hoje, quando os onze entrarem em campo, quando Oceano se sentar no banco e quando Vercauteren for avistado na bancada, os adeptos vão apoiar a equipa e esquecer as humilhações mais recentes. Erro e adversários estão identificados, e nunca os desgostos e amargos de boca se sobrepuseram ao propósito de uma ida a Alvalade: apoiar a equipa de forma incondicional.
Também, ao contrário do que se tem dito, o jogo deve ser encarado como «uma desforra». Obviamente, ninguém esquece a derrota na final da Taça de Portugal, principalmente os academistas que, vitoriosos, partem para Alvalade com ambição redobrada. Portanto, e perante uma briosa esperançada num bom resultado, os jogadores terão de se lembrar do que não jogaram no Jamor e fazer do encontro de hoje uma oportunidade motivacional para conseguir um bom resultado. Mais, depois de tantos jogos em que Adrien foi o motor da equipa, quem sabe se não será desta que Adrien poderá realmente - e finalmente - acrescentar alguma coisa. É que, para os mais incautos, lembro que, no mínimo, Adrien tem uma dívida para com os adeptos, já que, depois da final da Taça, disse o seguinte: «Apenas quis dar o máximo pela equipa que represento. Se já imaginei o número de sportinguistas tristes? Eu não estou triste, eu quero é festejar». Pois bem, esperemos que nunca se esqueça destas palavras e que leve toda aquela qualidade e profissionalismos latentes para dentro de campo, porque, até agora, tudo o que mostrou tem sido demasiado fraco para todas as exigências em torno do contrato já assinado.
No campo, bem sabemos que, de jogo para jogo, tem sido difícil estabelecer um equilíbrio e uma base estável. Todavia, há elementos que, ainda que culpados de toda esta situação, merecem a continuidade na equipa. Falamos de Rui Patrício, de Rinaudo ou de Schaars - este, com um merecido destaque, até pela particularidade de se tratar de um regresso -, mas também de Izmailov, um verdadeiro ioiô.
Estamos a um ponto da linha de água e a onze da liderança, portanto, há que aguentar o barco porque o novo capitão já está à espreita. Ainda este fim de semana teve a oportunidade de testemunhar, in loco, a vitória dos mais novos frente ao Benfica e perceber que na equipa B há matéria-prima por explorar. As dúvidas de Vercauteren prendem-se agora com a equipa que hoje entra em campo a partir das 20h15: saber se há qualidade para que se possa reerguer com ganas de vencer ou se, no final do jogo, ficará o lamento perante mais uma injustiça.