Tiros nos pés

por 20 de Setembro de 2012À saída do estádio0 Comentários

Ponto prévio: gosto muito de Ricardo Sá Pinto.

No programa Dia Seguinte, na segunda-feira, Dias Ferreira disse: «Gosto muito dos meus filhos e gosto muito do Ricardo Sá Pinto. Considero-o também como um filho. Desde que Sá Pinto aceitou ser treinador da equipa principal do Sporting, penso que cometeu um grande erro. Não sei se aceitou, se foi obrigado a aceitar».
Isto, dito por Dias Ferreira, um Homem que já pertenceu à estrutura da S.A.D e que está ainda muito ligado ao Sporting, deverá querer dizer alguma coisa.

Já o criticámos aqui anteriormente, deixando sempre a ideia de que poderia mudar. Na verdade, passaram seis jogos e o Sporting ganhou um e todos sabemos a quem foi. Pior que ganhar só um jogo é o futebol apresentado pelo Sporting. O discurso de Sá Pinto em nada nos tranquiliza como adeptos. Um discurso que, mais uma vez, não se compadece com a realidade. No seu discurso, somos sempre superiores, somos sempre perdulários e azarados. À primeira todos caem, à sexta, só o Carriço e o Pereirinha.

No jogo de hoje, volto a interrogar-me como é possível o melhor lateral-esquerdo da liga não aparecer na equipa. O Pranijc hoje provou que se jogar mais avançado no terreno pode trazer mais soluções ao ataque do Sporting. A sua capacidade no um contra um é forte, tem boa visão de jogo e muita capacidade de passe. Quanto à asneira de Xandão, para a classificar, só utilizando isso mesmo, asneiras!

As únicas três notas positivas de hoje: vinte minutos apreciáveis, um grande Izmailov - com os dois joelhos também não estaria no Sporting - e, apesar de não ser um jogador que me encha o olho, Gelson. Uma grande entrega ao jogo, muito disponível, muito lutador e com muita atitude.

Batendo na mesma tecla, todos sabemos que é o único ponta de lança, mas Ricky tem jogos onde são gritantes as suas fragilidades. Hoje foi um deles. Carrillo andou oscilante e Capel desaparecido.
Sá Pinto tem muita culpa no cartório. Faz três substituições e qual delas a pior. Meter Carriço para segurar o resultado é demonstração de fraqueza. Tirar Elias e meter André Martins é demonstração de insegurança. Por ultimo, fazer entrar Labyad e tirar Carrillo é mal pensado, porque neste labirinto em que jogam os jogadores do Sporting, o peruano é o único desequilibrador e o único capaz de encontrar uma saída.

Palmas, palmas, "vamos, vamos", é o que vejo na atitude de Sá Pinto. Os jogos não melhoram por estar ao lado dos jogadores. O tecido do futebol do Sporting é fraco, o conteúdo inexistente e os resultados são visíveis.  Por gostar muito de Sá Pinto, tenho ideia que o melhor seria apresentar a demissão e reconhecer que não está a altura para ocupar a "cadeira de sonho".

É desagradável escrever contra alguém por quem temos muita estima, mas a objectividade e a decência assim me obriga. É só tiros nos pés. O Sporting Clube de Portugal está a afundar-se. O Sporting está com a corda no pescoço. Pede-se um governo de salvação nacional, pois bem, eu peço o mesmo para esta minha/nossa doença.
Com tristeza, mas ainda assim, Sporting Sempre.

P.S. : Apagarei este texto assim que ganharmos ao Gil-Vicente, Estoril, Videoton e Porto.