Quem aperta contigo, Sá?

por 17 de Setembro de 2012À saída do estádio0 Comentários

Demorei mais tempo a escrever este post. Esta mistura de frustração e raiva não me permitia consolidar ideias. Ideias baralhadas, ideias sem nexo, ideias vazias, tal e qual como as do treinador do meu clube. Falarei destas mais à frente.
Enquanto jogador, considerava-o um símbolo do Sporting, pelo carácter e pelo sacrifício que incutia em todas as bolas disputadas, em cada minuto do jogo. Sá Pinto foi, para mim, na minha infância, um dos jogadores mais marcantes, não pelo primor técnico, não por ter uma classe mundial, mas sim pela mística, pela garra e pelo amor ao Sporting.

Posto isto, e por isto, nós, os adeptos, fechámos os olhos ao caso Liédson, porque nas nossas memórias continuava a imagem de um jogador que cerrava os punhos, trincava a língua e beijava o símbolo. Não é a toa que no reino do leão seja apelidado de “Ricardo coração de leão”. Saiu do clube, veio um ano até à minha cidade e voltou ao seu habitat natural. Iniciou as suas funções como treinador. Agarrou nos miúdos dos juniores e fez um trabalho notável. É promovido a treinador da equipa principal, numa daquelas jogadas patéticas do nosso presidente – meu não é – e respectiva direcção, para disfarçar um início de um projecto falhado. Confesso que fiquei extremamente feliz com a escolha. Sá Pinto chegava à “cadeira de sonho” e, este treinador, aliado a um plantel de muito valor, podia trazer um Sporting diferente – pensava eu.

Entre muitas coisas que me fazem confusão, a principal prende-se com este discurso murcho, este discurso sem coerência e que chega a roçar o ridículo. O discurso de Ricardo Sá Pinto em nada de assemelha com a sua figura enquanto jogador e isso é frustrante.

Acabado o jogo de ontem, a raiva apoderou-se de mim. Quinze dias de paragem e vejo os jogadores do Sporting todos rotos. Tacticamente nem foi o pior jogo, mas a falta de atitude e de agressividade são uma constante. Pranjic, como lateral-esquerdo, está a léguas de Insúa. Adrien, digam o que quiserem mas, para mim,  e para já, ainda não pode ser titular no Sporting. Carrilo esteve bem, assim como Cédric, Izmailov e, claro, Rui Patrício. Ontem também me lembrei de um gigante que foi para Espanha. Xandão cumpriu, mas Oguchi é melhor. Ricky marcou, e fez a sua parte. Quanto a Elias, continua, na minha opinião, a ser muito caro para o que mostrou até agora. Gelson corre que se farta, mas é também o campeão da paulada. Construir que é preciso, "tá quieto!"

Lembro-me, no início desta paragem do campeonato, de Sá Pinto ter dito que a mesma serviria para olear processos e criar dinamismos para a equipa. Pois bem, eu não vi nada de muito diferente, para ser sincero. Não entro nos alaridos das bolas que entraram e das faltas que não existem. O Sporting não está forte, não joga à bola e, pior que isto tudo, 3ª jornada, 2 pontos e um golo. Está tudo dito.

Em relação ao treinador do meu clube, que foi 4.º no campeonato, que perdeu o acesso à final da Liga Europa,  que saiu derrotado na final da Taça, pela Académica, que não consegue o acesso à Champions e que tem este início de campeonato comprometedor... começa a ficar pesado.
Não sou a favor de chicotadas e mudanças atrás de mudanças, mas como diz o velho ditado, contra factos não há argumentos. Ou ainda há?