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Morrer na praia

por 29 de Setembro de 2012Hoje é dia de Sporting0 Comentários

Os últimos dias foram relativamente tranquilos. A vitória – ainda que difícil – frente ao Gil Vicente e a folga na Liga Europa deram à equipa uma certa margem de manobra para respirar e recolher sem grandes sobressaltos. No entanto, e porque é do Sporting que falamos, a tranquilidade é sempre um conceito relativo e o jogo não se esgota dentro das quatro linhas.

Terminadas as dúvidas quanto ao futuro de Sá Pinto no comando da equipa, deu-se início ao cavalgar sobre as suspeitas quanto a um possível voto de confiança por parte da direcção. Pois bem, o voto de confiança no sentido de confirmar a posição do treinador à frente da equipa não surgiu. Por um lado, de forma alguma a direcção colocou em causa o trabalho ou o futuro de Ricardo Sá Pinto. Por outro, após os sinais que davam conta de um mal-estar dentro da equipa, o silêncio acabou por não resolver a situação e prolonga, pelo menos até ao próximo jogo, as dúvidas em relação à prestação exigida pela direcção.

Na antevisão do jogo, Sá Pinto diz acreditar que «o Estoril queira ir a Alvalade para conquistar pontos – até pelas palavras do seu treinador. Aliás, o Gil Vicente também tinha demonstrado essa intenção, mas fomos nós que não os deixámos pontuar como também não vamos deixar o Estoril sair de Alvalade com pontos». É normal – e legítimo – que qualquer equipa queira pontuar em Alvalade. Agora, o que é anormal é que, cada vez mais, qualquer equipa o diga com demasiada normalidade e que parta para um jogo em Alvalade com a noção de que conquistar pontos não será uma tarefa hercúlea. 

Nos últimos tempos, ficou provado que o Sporting ainda é uma equipa com dificuldades em enfrentar e encontrar caminhos para furar/contornar muralhas defensivas a tempo inteiro, e o jogo frente ao Gil foi o exemplo máximo dessa condição. O ataque desenfreado e desorganizado acabou por resultar, mas a equipa continua a ter dificuldades em jogar num ataque continuado com algum critério. Por isso mesmo, jogar em casa frente ao Estoril pode considerar-se como mais uma oportunidade de ouro para colocar em prática um esquema de jogo coeso e, ao mesmo tempo, mais dinâmico, criativo e empolgante.

Rinaudo, espera-se, estará de pedra e cal aos comandos do meio-campo e da defesa. O argentino acrescenta regularidade e qualidades invulgares na equipa, e o regresso, no último jogo, veio provar que há qualidade suficiente no plantel para nos fazer sonhar. Mais, um miolo constituído por Fito e Marat é, arrisco-me a dizer, motivo de orgulho para qualquer adepto. Nas alas – depois da injustiça cometida com o miúdo Labyad e com as dúvidas quanto à condição real de Jéffren – as opções passam por 2 de 3 opções. Capel e Pranjic garantem estabilidade. Carrillo acrescenta espontaneidade e incoerência táctica. Na frente, Ricky voltou a marcar e Viola mostrou que pode ser opção. 

Cabe a Sá Pinto tomar mais um punhado de opções difíceis, sabendo de antemão que qualquer resultado, que não a vitória, deita por terra toda a recuperação psicológica. Em casa, com o Estoril, e depois da lição que todos aprenderam no jogo passado, não há ninguém que não exija a vitória. Qualquer outro final para o filme de hoje será, literalmente, para equipa e treinador, morrer na praia.