From U.K to “As Redes do Damas”

por 9 de Setembro de 2012O Sporting lá fora0 Comentários

“Hoje é a tua vez”

Este é um blogue de Sportinguistas e para Sportinguistas, de tal forma que decidimos dar “voz” a quem nos tem acompanhado. Na rubrica “Hoje é a tua vez”, escolhemos este texto.


“Vida de emigrante não é fácil… 

Desde que cheguei a este fim de mundo chamado Inglaterra, que a vida tem sido complicada. Vale-me, entre outras coisas, o café tuga, aqui ao pé de casa, onde vou de vez em quando, comer um bitoque e ver o meu Sporting, o clube que tem no nome, o país que deixei mas do qual que tanta falta sinto

A minha experiência como Sportinguista, desde que aqui cheguei, tem sido igualmente difícil. Não tendo como ver os jogos, sou obrigada a ir sempre ao “cantinho do céu”, cheio de paixões clubísticas que nada têm a ver com a minha, mas como só ali é que há SportTV, sou obrigada a conviver com essa realidade. 
Entro com o meu cachecol verde e branco, silêncio, tudo a olhar. Oiço o sussurrar deles, parece que viram um ET. Olham para mim com o machismo típico, desdenhando a personagem que se atreve a entrar no nosso café, ainda para mais, com o cachecol do Sporting Clube de Portugal.

Olho para as paredes, fico perturbada: cachecóis e bandeiras de outra cor, por tudo quanto é sitio, aves e estádios em miniatura. Que mal me sinto, mas entendo que nem todos foram abençoados com bom gosto. 

Começa o jogo e os ânimos começam a alterar-se. Perdem mais tempo a mandar-me bocas do que a olhar para a televisão, e eu na minha, sempre ponderada e tranquila, utilizando os nobres valores que o meu clube me ensinou, aguardando o momento único de os ver engolir o cinismo e a hipocrisia que destilam por estar na presença deles, uma Sportinguista de coração.

O problema começa quando surgem os meus ataques de nervos, quando a bola está quase, quase, a entrar e depois bate nos postes. Quando falham golos praticamente feitos, quando o árbitro começa a inventar e eu, fora de mim, tenho de acender um cigarro para me acalmar. Quando ganhamos, mal sabem eles o que nos ajudam. Quando estamos num país que não é nosso, são capazes de transformar a saudade em alegria e a distância em reconforto.

Não há ninguém como nós, que entenda o que é ter a alma verde e branca, ter nível e fairplay. Um clube não se valoriza pela quantidade de sócios e simpatizantes que tem, mas sim pela qualidade das pessoas que os apoiam. 
E eu, mesmo a milhares de quilómetros de Portugal, quero e faço parte deste mundo leonino que tanto me consegue fascinar. Só quem está longe é que sabe o sentimento de revolta e desespero por não poder estar junto dos que mais amamos. Mas, ao mesmo tempo, com o orgulho de poder continuar a seguir o caminho do meu clube, de sentir a emoção de os ver jogar, e de poder dizer: sim sou do Sporting, o clube de Portugal!!!

E somos todos UM! SPORTING PARA SEMPRE!”
East Sussex, BN21 3TN, United Kingdom

Ass: Ju Miroto