Sporting é (no) topo

por 27 de Agosto de 2012Hoje é dia de Sporting0 Comentários

Antes de algumas linhas sobre o jogo de hoje, em Alvalade, vamos à boa notícia: terminou o dossier Rui Patrício. Depois de muitas semanas em que se falou da saída do Rui, principalmente para Inglaterra, a direcção do Sporting conseguiu finalmente a renovação com aquele que é actualmente titular indiscutível, quer no clube, quer na selecção nacional. 

Mas, será que “conseguiu” é a expressão correcta? A verdade é que a explicação que Rui Patrício vem dar para a permanência no clube é muito mais do que uma simples renovação contratual que acrescenta euros ao salário mensal. 

Em declarações ao site oficial do Sporting, o Rui diz o seguinte: «Com esta continuidade, por um longo período, serão pelo menos mais seis temporadas, espero também ajudar os mais jovens, os que agora estão na nossa Academia, a perceberem que o Sporting não é um meio para chegar a outro lado. É antes o topo. Com o meu exemplo, que entendam que é possível chegar ao plantel principal, jogar na selecção e ser feliz no campeonato português».
Em poucas palavras, Rui Patrício consegue fazer três coisas muito importantes e que há muito não se viam num jogador português de nível internacional: incentivar jovens jogadores portugueses, para que trabalhem sempre no máximo e se afirmem em Portugal – antes sequer de pensarem em contratos milionários no estrangeiro; valorizar e demonstrar enorme estima pelo clube com o qual tem contrato; e, por último, sendo um dos capitães de equipa, enaltecer e fazer passar a mensagem – para dentro e para fora do balneário – de que estar no Sporting é estar num grande clube europeu e que é preciso ser brioso na hora de vestir a camisola. 
Apesar de jovem, tal como o fez Vítor Damas, Rui Patrício já começa a ser um dos símbolos do plantel principal e alguém que, em tempos de libras, euros e rublos, representa o que é saber honrar a camisola. O Sporting agradece, até porque formar não será exclusivamente para vender e os melhores terão sempre de ficar.
Já dentro das quatro linhas, logo à noite, frente ao Rio Ave, não há outra saída: a equipa está condenada a vencer o jogo. Uma obrigação que nada tem a ver com as vitórias dos adversários “mais directos” na luta pelo título, mas antes com o passado recente. 
Na Dinamarca, o jogo não foi fraco como se quis dar a entender, no entanto, se nos lembrarmos de qual o nome do adversário e da dimensão que tem dentro do próprio país, todos nós acabamos por aceitar que o resultado foi tudo menos aceitável. Em Guimarães, frente a um Vitória que se limitou a não querer mais do que os pontos com que começou a partida, o Sporting também pareceu satisfeito, seguindo a lógica de que só no final do campeonato é que se saberá se ficaram 2 pontos por conquistar ou se trazer 1 ponto acabou por ser positivo. Tretas. É frustrante empatar nos dois primeiros jogos oficiais contra equipas nitidamente inferiores.

Por estas razões, e por saber que o Rio Ave é uma equipa que, por exemplo, ao contrário do Horsens, já conhece o plantel do Sporting de cor e salteado, todo o cuidado tem de ser pouco. Isso mesmo, pouco. Nuno Espírito Santo já sabe o que esperar e Sá Pinto também. Daí que não seja possível admitir um Sporting cauteloso, paciente e à espera do final dos primeiros 45 minutos para tomar decisões “arriscadas” e substituir Adrien para fazer subir  André Martins ou Labyad. Como diria Quinito, é preciso, desde início, colocar “a carne toda no assador”. 
A defesa já está oleada? Óptimo. Mas, o jogo é em casa e é preciso concentrar esforços no que tem faltado à equipa: tenacidade e eficácia no ataque. As bancadas vão estar cheias e é preciso pensar em Cédric e Insúa como mais dois no apoio ao ataque. Trata-se do primeiro jogo oficial em Alvalade e, se o golo acontece nos primeiros 5 minutos, ninguém vai querer saber quem é o defesa-central ou se a equipa joga com um ou com dois pivôs defensivos. Hoje, dos 8 aos 88, todos querem ver golos, na certeza de que vão voltar quinta-feira, e já a saber de cor todos os nomes dos 11 magníficos do Sporting Clube de Portugal.