Onde é que eu já vi isto?

por 20 de Agosto de 2012À saída do estádio0 Comentários

No ano passado, no mesmo local, e depois de uma expulsão desenhada a pura injustiça, aos 21 minutos já não havia Rinaudo. Ainda assim, acabámos por vencer.

Desta vez, terminámos o jogo com mais ataques, mais remates, mais cantos, mais hipóteses de marcar e com mais posse de bola. Podíamos ter marcado logo no início do jogo. Dominámos por completo a segunda parte. Mas, a verdade é que regressámos a Alvalade com menos 2 pontos. É apenas um jogo de início de temporada? Sim. Levar 1 ponto do D. Afonso Henriques é um mau resultado? Também.

No caminho de regresso viajam algumas dúvidas e muitas certezas. Boulahrouz e Rojo formam uma dupla que, até ao momento, parece coesa. Entram duro, não complicam e sabem jogar com os pés. O facto de Marcos Rojo ser um canhoto pode até ser uma mais-valia, não só do ponto de vista posicional, no centro da defesa, mas também do ponto de vista táctico, caso em determinado momento seja necessário fazer subir Ínsua. Por outro lado, fica a pergunta: onde é que está o ‘Capitão América’ que no ano passado por tantas vezes nos safou e que torna os cantos ofensivos em verdadeiros lances de perigo? Onyewu é mesmo um nome para riscar? Mais, trata-se de alguém que na rede social Twitter, depois da especulação sobre a saída do clube, esclareceu: «Só para ser claro… Eu amo o Sporting e estou muito feliz aqui! ». Ponto final. 
Outro dos pontos de interrogação vai para Rinaudo. A lesão estará definitivamente debelada? Gelson Fernandes não compromete, mas nota-se que é um jogador claramente mais limitado. Em Guimarães, raramente falhou um passe e até foi dos que mais lutou e recuperou num meio-campo bastante combativo. Agora, o facto de não se errar um passe não significa que se faça um jogo fenomenal. Bolas para trás: muitas. Passes a rasgar a defesa do Vitória: muito poucos ou nenhuns. E, a verdade é que para se jogar no meio-campo do Sporting não se pode ser apenas um mestre a destruir. É preciso ser carregador de piano, mas também é preciso saber tocar qualquer coisa e, pelo que mostrou nos poucos jogos da época passada, Fabián Rinaudo é um executante muito mais capaz. 

Quanto a outras soluções, Cédric parece ter o lugar garantido. Falta-lhe músculo, é verdade, mas, tecnicamente, em nada fica atrás do João Pereira e, por vezes, até é capaz de ser bem menos complicado na hora de aliviar uma bola para a bancada. Adrien não é de forma alguma o nº10 do Sporting. Quando muito será um nº8 e, nesse lugar, será muito difícil destronar Elias que, motivado e concentrado nas razões pelas quais o clube apostou nele, pode muito bem ser o motor da equipa.

Na frente, pouco houve a acrescentar ao esquema do ano passado e daí que o resultado não tenha sido muito diferente. É preciso alguém que chegue mais perto do Ricky. Capel e Carrillo entendem-se sozinhos, mas tardam em afirmar-se como um verdadeiro perigo durante os 90 minutos, ainda para mais contra equipas que não jogam fora do próprio meio-campo. 
E, a jogar de uma forma previsível, vai continuar a ser muito difícil furar as defesas de equipas que, se não têm um autocarro, têm, pelo menos, uma carrinha de 9 lugares à frente da baliza. 
É o que pode acontecer já na quinta-feira, na Dinamarca.