A música continua a ser a mesma, menos na Europa

por 22 de Agosto de 2012O Sporting lá fora0 Comentários

No campeonato:

O negativismo apoderou-se de mim. Esperava um Sporting mais eficaz, mais mortífero e, sobretudo, esperava um Sporting com um ponta-de-lança capaz de me fazer esquecer um passado recente recheado de qualidade. Onde andas Liédson? Jardel, ainda tens o faro?
É verdade que só agora começou o campeonato, mas encaro cada vez mais que Ricky Van Wolfswinkel não será o antídoto para acabar com esta ineficácia e com tamanha inoperância no ataque leonino. Sim, concordo, as bolas não chegam lá em condições e por vezes não é servido da melhor maneira. Ok, tudo muito bem, mas, e quando isso não acontece?
Eu sei que marcou 25 golos no primeiro ano, mas 9 foram de grande penalidade. Já no que toca a jogo jogado, todos nós constatámos que não é forte no choque e que não remata com agressividade. A meu ver, não tem a veia goleadora, o killer instict, o faro para o golo, como preferirem. Para se ser ponta-de-lança do Sporting Clube de Portugal é preciso meter medo aos defesas, finalizar na primeira oportunidade, ser imponente e mordaz no primeiro golpe.
O slogan “O Sporting está de volta” provoca-me tremedeiras, ansiedade e nervosismo. Está de volta, sim, mas isso não é necessariamente bom. Está de volta para quê? Outra vez o quarto lugar? Outra vez a perder com os Gil VicentesSetubeis e companhia? Mais, se o maestro – Sá Pinto – é o mesmo, qual a razão de não se conseguir meter a orquestra a tocar?

Na Liga Europa:
Aqui, a musica é outra. Aqui, Zurique, Lazio, Manchester City, Metalist e Athletic Bilbau sofreram golos de um lobo sedento, sem medo de matar a presa num simples golpe letal e, por vezes, com uma classe só ao alcance dos mais poderosos. Na minha opinião, nesta competição Ricky foi o 9 que precisámos. Correu, segurou bolas, criou espaços e, o mais importante, marcou golos, nalguns casos, decisivos e de nota artística. Arrisco mesmo dizer que, no que diz respeito à Liga Europa, a nossa preocupação por um avançado que lhe dê luta não passa de uma situação pontual e sem grande relevo. No entanto, eu sei que não é assim tão linear.
Ainda bem que começa a nossa longa jornada europeia. Uma competição que nos faz recordar momentos mágicos (Manchester City), bonitos (Metalist Kharkiv) e intensos (Athletic Bilbau), como os do ano passado. Apostando no dobro do sucesso da última Liga Europa, vamos lá começar por terras nórdicas, em reinos de Schmeichel, onde espero voltar a ouvir aquela música que todos queremos meter no repeat. Over and over again. Sporting Sempre.